quarta-feira, 28 de março de 2007

SOS educação! - Artigo da Sofia

Publicado em 31/março/07 no jornal Zero Hora.

Tornaram-se cotidianas neste início de ano letivo as manifestações de pais, alunos, professores e funcionários tomando ruas, abraçando as escolas, paralisando aulas. Suas reivindicações? Singelas e básicas: professores para dar aulas, merendeiras para preparar os alimentos, verbas para folhas, troca de lâmpadas, material de limpeza.
O prejuízo já se pode contabilizar: alunos tendo períodos reduzidos quando não estão há um mês sem aulas, mal alimentados com os alimentos prestes a perder a validade nas despensas, os professores desmotivados pois a conturbação é diária: superlotação de turmas e improviso constante de atendimento, bibliotecas fechadas e ausência de apoio dos setores como supervisão e orientação escolar.
Por outro lado, os novos alunos do Ensino Fundamental, tanto de seis anos quanto os de sete anos na primeira série, estão enfrentando toda a sorte de insegurança: ou as mães e pais seguem peregrinando de escola em escola pois não há vagas ou a escola designada exige ônibus pela distância ou ainda está matriculada mas não chegou a professora!
Os funcionários de limpeza e da cozinha simplesmente foram retirados! As novas direções das escolas estaduais eleitas no final do ano passado passaram janeiro e fevereiro limpando e organizando elas próprias, com os parcos recursos, a fim de bem receber os alunos no início do ano!
Acrescente-se a este quadro os assaltos e violência contra as escolas e teremos que reconhecer que a Educação estadual passa pela maior crise já vivida!
E será que tudo pode ser explicado pelo “ajuste” que a anunciada crise do Estado exige? Mesmo que assim fosse, desde primeiro de Janeiro já deveria ter sido construída com cada direção de escola a reorganização necessária para o início do ano letivo। Não dá para aceitar que a secretaria afirme em final de março que o problema é que os professores estão mal lotados! Nem que as previsões não estivessem prontas pelo governo anterior e que uma boa transição não tenha sido feita de um governo para o outro – o que deveria acontecer mesmo se fossem de partidos opostos! É bem verdade que o ex-Secretário da Educação deve muita explicação sobre a herança deixada: sobre os quatro meses de recursos não repassados, sobre a absoluta falta de preparo da rede para o ingresso aos 6 anos, sobre o abandono da estrutura física das escolas e tantas outras omissões. O que estamos assistindo, na verdade, é mais um descaso com a educação! É talvez a necessidade de estabelecer o caos para rebaixar as exigências! Tanto no velho quanto no novo jeito de governar a educação de fato não é prioridade.