segunda-feira, 23 de abril de 2007

A conta da educação – Artigo da Sofia

Publicado no Jornal Correio do Povo no dia 20 de abril.

Professor e aluno não são números, mas é assim que estão sendo tratados. O cálculo da SEC é simplista: basta remanejar, de um lugar para o outro, e tudo está resolvido no ensino. Vejamos: uma professora há 17 anos atendendo na biblioteca é, pela concepção do novo governo, mais importante numa primeira série. Além de a biblioteca ser fechada e toda a escola ser prejudicada, esta professora por despreparo, idade, condição física ou psicológica, em menos de uma semana entra em licença-saúde e as crianças em casa, sem aulas. A situação não é hipótese, ocorreu em Porto Alegre e se repete em casos semelhantes, agravando a falta de professor e funcionário.

A SEC, alegando ter que enxugar, em razão das atuais contas públicas, remexe as escolas da maneira mais desastrosa e autoritária possível: só nomeia os responsáveis regionais depois do início das aulas, não faz reunião com os diretores, orienta a retirada de todos os professores dos setores para assumir sala de aula e ainda adverte que é preciso melhorar os índices de aprovação.

É verdade que o aluno não pode pagar a conta, mas que condições há de aprendizagem num quadro desse? É possível uma escola só com direções e professores? Sem biblioteca, sem coordenação pedagógica? E os diretores, tendo que administrar com parcos e atrasados recursos, dando conta de vagas, merenda, materiais, limpezas, assaltos? Parece que para a SEC aponta uma forma muito diferente de qualificar a educação gaúcha! Mas, quem tem de fato compromisso com a educação sabe que isto é condenar o ensino ao fracasso, os alunos ao abandono e a sociedade à mercê de mais violência!

É comum usar a relação número de alunos versus professor para dizer que sobram educadores, porque em educação se considera que se gasta muito. Porém, países com os melhores indicadores educacionais gastam muito mais. Cuba, por exemplo, aplica 13% do seu PIB, enquanto o Brasil aplica 4%. Achar que é possível enxugar nesta área é uma irresponsabilidade que tem custos! Potencializar recursos humanos, evitar desperdício é bem diferente de entregar à sociedade o ônus de uma escola empobrecida.

Se o novo jeito de governar consiste em cortar nas áreas mais vulneráveis, ele não serve para o povo gaúcho! Aqui lutar por escola pública de qualidade é lição de aula, “é ensinar democracia” como cantamos no hino. Por isso, mais do que os professores, pais e alunos têm reagido e haverão de ensinar aos governantes que sem escola não há escolha!