domingo, 21 de outubro de 2007

Avaliar o quê? - Artigo da Sofia

Artigo publicado hoje no jornal Zero Hora.

A Secretaria de Educação quer fazer uma avaliação externa do desempenho dos alunos das escolas estaduais. Avaliar é preciso em toda a atividade humana, e especialmente em educação. Porém, a primeira pergunta que se faz é: qual o investimento, projeto pedagógico ou política pública que se implementou, cujos resultados se quer avaliar?

Serão as enturmações, à volta às classes multiseriadas, as reduções de contratos e convocações que fecharam bibliotecas, apoios pedagógicos, projetos e oficinas de complementação curricular? Querem avaliar as conseqüências dos repasses de verbas reduzidos, do parcelamento de salário, da ausência de diálogo, do cancelamento do concurso que estenderá mais ainda a temporariedade dos profissionais na sala de aula?

Para isto, não precisa avaliação. É só olhar os inúmeros ofícios, relatórios, fotografias, atas que as direções, o Cpers, os Conselhos e Comissões de Educação encaminham e reencaminham às Coordenadorias pedindo providências! Ou, acompanhar os jornais que, diariamente, dão conta das condições precárias em que as escolas se encontram.

Já para o desempenho dos alunos, há dados disponibilizados, recentemente colhidos, que informam sobre a rede e sobre cada escola. Tanto a Prova Brasil quanto o Saeb e o próprio Enem, têm indicadores que respondem ao que a Sec parece entender como avaliação.

Para uma gestão que está iniciando, seria desejável partir destes dados e do quadro real das condições das escolas, e desenvolver um processo envolvendo a rede estadual, as instituições representativas de cada segmento, para estabelecer metas coletivas visando à reversão da queda de qualidade, com compromissos a serem assumidos tanto pelas escolas quanto pela mantenedora.

Então sim, discutir a pertinência de avaliações complementares, realizadas desde a escola, que sejam de processo e não de respostas em um determinado momento; encontrar formas de superar a evasão, a reprovação e a dificuldade de inclusão dos alunos com deficiência - questões delicadas e urgentes a serem enfrentadas!

Mas não, o caminho da Sec é outro: dispensa sua rede, licita uma instituição e traz de Minas(!) um programa de avaliação, faz parceria com o Sinep (não que as privadas não tenham que participar, mas por que só elas?) e estabelece como obrigatório às escolas públicas, que sequer consultou!

Deste jeito, quem vai reprovar mesmo é este novo jeito de governar: autoritário e incompetente!

Sofia Cavedon – Vereadora