quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Fórum Social Mundial Palestina Livre

Vanessa Gil*

Entre os dias 28 de novembro e 1 de dezembro de 2012, em Porto Alegre, será realizado o Fórum Social Mundial Palestina Livre. A Marcha Mundial de Mulheres integra o comitê nacional e local de organização do evento. Mas qual a ligação do movimento feminista com o que ocorre na Palestina?

A luta do povo palestino se inicia em 1948, quando a ONU concede mais da metade do território palestino para a criação do Estado de Israel. Isso atendia aos interesses não só do movimento sionista, como aos interesses econômicos da Inglaterra. Não é a toa que Israel tem servido como principal aliado dos interesses imperialistas na região.

Entretanto, o movimento sionista não se conteve em ver o seu país consolidado e passou a ocupar as terras que haviam sido deixadas para os palestinos/as, mesmo que esses/as tivessem uma população muito maior. 

Desde então, as palestinas e palestinos têm sido expulsos de suas casas e sofrem as mais cruéis formas de violência por parte do exército de Israel. Um exemplo disso foi o massacre no campo de refugiados de Sabra e Chatila, que deixou mais de 3 mil palestinos/as mortos/as, e que completou trinta anos em setembro. Na noite de 16 de setembro de 1982, os militares israelenses liberaram o caminho para que Milícia Libanesa Falangista Cristã entrasse no campo em Beirute e massacrassem os/as alojados/as. Crianças, idosos/as e homens foram mortos, enquanto as mulheres eram estupradas.

Pela desmilitarização e liberdade para as mulheres Nós da Marcha Mundial das Mulheres compreendemos que em guerras e territórios militarizados as mulheres são as mais afetadas. É delas a responsabilidade de cuidar das crianças, dos idosos/as e dos/as doentes. O vídeo acima demonstra o sofrimento das mulheres que sobreviveram e que ficaram sem os pais, maridos, filhos e filhas. Seu direito de ir e vir torna-se nulo diante dos incontáveis toques de recolher impostos por Israel e pelo perigo de depara-se com um soldado israelense. A ideologia imperialista, patriarcal, racista e militar de Israel impede a liberdade e destrói a vida das mulheres palestinas.

Pelo fim de todos os muros A ideologia do Estado de Israel tenta confundir antissionismo com antissemitismo, tentando transformar os processos de resistência de um povo que vive sob ocupação militar em terrorismo. Utilizando-se do pretexto da “segurança” contra o terror, Israel construiu o denominado Muro do Apartheid na Palestina ocupada. Esse muro está planejado para possuir 700 km de extensão. Além de constituir uma grave violação dos direitos humanos e do direito internacional, o muro incorpora assentamentos sionistas ilegais, fontes de água, separa comunidades, crianças de suas escolas, trabalhadores/as de seus locais de trabalho, ou seja segrega uma população por completo. Denunciamos o caráter imperialista, racista e violento desse muro. Lutamos pelo fim do muro do Apartheid na Cisjordânia da mesma forma como lutaríamos contra o genocídio judeu na segunda Guerra, como lutaríamos pelo fim do Apartheid na Africa do Sul, nos EUA… E como lutamos pelo fim dos muros do machismo, do patriarcado, da misoginia. Por tudo isso, convocamos a todas e todos para estarem em Porto Alegre, no FSMPL. Vamos juntas e juntos apoiar um mundo livre de opressões, repleto de possibilidades, liberdades e responsabilidades coletivas. Vem conosco mudar o mundo para mudar a vida das mulheres para mudar o mundo! 

*Vanessa Gil é cientista social e militante da Marcha Mundial das Mulheres.

Publicado no Portal do Deputado Estadual Raul Pont/PT