terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Alunos surdos querem ficar no CMET Paulo Freire

Foto Marta Resing
Professores e alunos do Centro Municipal de Educação do Trabalhador (CMET) Paulo Freire estiveram presentes, nesta terça-feira (11/12) pela manhã, na reunião da Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece) da Câmara Municipal de Porto Alegre. Na ocasião, eles criticaram a decisão da Secretaria Municipal da Educação (Smed) de retirar o segmento de alunos surdos do projeto político-pedagógico do CMET. Conforme a Smed, esses alunos seriam transferidos, ainda no início de 2013, para a Escola Municipal de Ensino Fundamental de Surdos Bilíngue Salomão Watnick.

"O anseio dos alunos é pela permanência deles no CMET Paulo Freire. Nossa luta é por uma escola bilíngue.", disse Fabiane Saidelles, presidente do Conselho Escolar do Paulo Freire. "O espaço bilíngue precisa ser garantido em todos os lugares, ele transcende a escola." Há cerca de um ano, o CMET Paulo Freire está sediado no prédio antes ocupado pelo colégio Santa Rosa de Lima, na Rua Santa Teresinha, Bairro Santana.

"O segmento de alunos surdos foi retirado do EJA (Educação de Jovens Adultos) sem consulta ao conselho escolar, o que fere os princípios da gestão democrática. Questionamos a forma como o assunto foi encaminhado pela Secretaria, pois o espaço bilíngue no CMET foi uma conquista dos últimos 15 anos. O CMET Paulo Freire atende jovens e adultos surdos, enquanto a Escola Salomão Watnick trabalha com crianças", disse Fabiane.

Vontade 

Foto Jonathan Heckler/CMPA 
Leandro da Silva Lopes, um dos 61 alunos surdos que estuda no CMET Paulo Freire, criticou a decisão da SME em transferir os alunos. "Estamos felizes no novo prédio. Há espaço para teatro e esportes e ensino bilíngue. Fui informado de que eu terei de mudar de escola no ano que vem. Mas a Escola Salomão não é boa, fica mais longe, e o deslocamento de ônibus é mais demorado. Ela é muito pequena, não tem espaço e estrutura apropriados. Nossa vontade tem de ser respeitada, queremos ficar no prédio atual. A salomão só tem contato com crianças, e eu quero ficar junto com os outros jovens."

A presidente do Conselho Municipal de Educação, Regina Scherer, também criticou a forma como o processo foi conduzido pela SMED. Segundo ela, o documento enviado ao Conselho pela Secretaria não é o mesmo elaborado pela comunidade escolar do Paulo Freire. "O Conselho Municipal está envolvido com esse processo desde 2010. O princípio da gestão democrática está estabelecido legalmente e não vamos abrir mão dele. Não podemos analisar um projeto que não tenha sido aprovado pela comunidade escolar." 

Foto Marta Resing
A vereadora Sofia Cavedon (PT/PoA) ressaltou a importância de se manter o CMET Paulo Freire como um espaço bilíngue e lamentou que a Secretaria Municipal de Educação não tenha ainda avançado neste sentido, se mantendo fiel ainda ao conceito de "escola para pessoa com deficiência". Ela questionou a decisão da Secretaria em agrupar todos os alunos surdos da rede municipal de ensino em uma mesma escola e observou que a Salomão Watnick está em processo de ampliação, não tendo ainda ensino para jovens e adultos. "Embora peça desculpas à comunidade, a Secretaria continua reafirmando sua decisão contrária à vontade do conselho escolar", disse Sofia.

Nova reunião na terça (18) 

Devido a ausência de diretores da escola a Comissão agendou nova reunião para tratar do assunto na próxima terça-feira (18/12), às 9 horas, na Sala das Comissões da Câmara (Av. Loureiro da Silva, 255, 3º andar).

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