domingo, 16 de dezembro de 2012

Sofia presta contas do seu mandato

Foto Mario Pepo
Durante este final de semana (15-16/12) a vereadora Sofia Cavedon (PT-PoA) esteve em vários pontos públicos da cidade prestando contas do seu terceiro mandato na Câmara de Porto Alegre. Eleita para mais um mandato pelo PT, Sofia esteve no Mercado Público, Bom Fim e Brique da Redenção, juntamente com sua assessoria.

Foto Mario Pepo
Ela define o terceiro mandato que se encerra como de combate. “Sintetizado assim: a luta pelo Direito à Cidade e à Cidadania versus a cidade mercadoria”, destaca a vereadora.


Foto Mario Pepo
Na área da cultura, a vereadora destaca a realização do último Sarau do ano, que contou com a presença de diversos artistas apoiadores do mandato. “Nossa mobilização cultural de 2012 encerrou com chave de ouro: Sarau cheio de talentos e amizades, emendas no Orçamento para os Teatros Renascença e Túlio Piva e para a Casa do Artista, além de R$50.000 para a sala do Ballet para Todos na Restinga e R$ 80.000 para fomento do Teatro Glênio Peres”, comemora Sofia.

Novo Mandato

Na quarta-feira (19/12), às 16h, Sofia será diplomada pelo TRE/RS para o seu quarto mandato na Câmara da capital. O evento, aberto ao público, será no Teatro Dante Barone (Assembleia Legislativa do Estado). 

Leia abaixo artigo de Sofia que apresenta a síntese do seu 3º mandato.

Direito à Cidade e à Cidadania X Cidade Mercadoria – Por Sofia Cavedon (PT-PoA) 

Foto Felipe Dalla Valle/CMPA 
Neste terceiro mandato de vereadora que chega ao final, enfrentamos a realização agressiva do modelo que já chegara em Porto Alegre nas primeiras medidas do primeiro governo Fogaça, do fenômeno chamado gentrificação ou instalação do modelo cidades-empresas americano – embalado agora pelo grande negócio “Copa do Mundo”.

Trata-se do “aburguesamento” de áreas das grandes metrópoles que são tradicionalmente ocupadas pelos pobres, com a consequente expulsão dessas populações mais carentes, resultando na valorização imobiliária desses espaços. 

Foto Mario Pepo
Vamos enxergar este processo nas concessões de áreas públicas à exploração privada, como o Araújo Vianna, os quilômetros do Cais do Porto, o do Terminal Rui Barbosa que já confinou ali os camelôs proibidos de estarem nas ruas do centro da cidade – dando lugar a automóveis e negócios, na adoção privada e tentativa de cerca-mento das praças e parques; na proibição das carroças de circularem nas áreas nobres, a proibição da Feira da Economia Solidária ou a Feira do Artesanato de acontecerem no Largo Glênio Peres, etc.

Foto Tonico Alvares/CMPA 
Neste caminho está a tentativa frustrada da venda do Morro Santa Teresa e de construção do Pontal do Estaleiro, onde a organização das comunidades combinada com o Movimento de resistência à privatização da Orla e trabalho de parlamentares de esquerda, constituíram-se em vitórias da resistência ao modelo.

Foto Ricardo Giusti/PMPA
De caráter excludente e privatizador, este processo combina farta distribuição do direito de construir mais nas áreas mais nobres com segregação dos pobres nas áreas mais longínquas, carentes de infraestrutura, de serviços públicos, de acesso à renda. 

Um dos resultados é que nossa capital é a 9ª cidade mais violenta do país. Banidos como ratos indesejáveis, eles se organizam para assaltarem as “despensas” fartas, sem pudor, exibidas nas telas de TV que chegam nos mais miseráveis casebres.

Foto Lauro Alves
E milhares destas moradias precárias coexistem com grandes projetos de modernização e de entretenimento financiados por fundos públicos, alavancados pela iniciativa privada. Emblemática disto é a paisagem do entorno do complexo Arena do Grêmio

Associados aos políticos, ao grande capital e aos promotores culturais, os planejadores urbanos, agora planejadores - empreendedores, tornaram-se peças-chave dessa dinâmica - analisa Otília Arantes, in A Cidade do Pensamento Único: Desmanchando Consensos.

Assim que muitas leis foram encaminhadas e apreciadas na Câmara de Vereadores e Assembleia Legislativa que promoveram estes incentivos, impermeáveis a qualquer mecanismo de garantia de retorno ao interesse público geral ou mesmo contrapartidas mitigadoras dos impactos urbanos. Estes todos, via de regra, tem ficado para o estado, em nome do “consenso do desenvolvimento”.

Combatemos esta imoralidade em todas estas iniciativas, emendamos, mobilizamos, votamos contra, denunciamos no Ministério Público e de Contas.

Foto Divulgação Gabinete
Na presidência da Câmara, baixamos nas comunidades para dar visibilidade a esta opção que abandona cruelmente o atendimento das condições básicas de vida digna, subimos nos ônibus, circulamos nas escolas, movimentamos a cultura popular e a produção local – “contrapondo-se ao culturalismo de mercado” - para criar consciência do processo em curso, para empoderar a cidadania, apoiar a resistência.

Apesar de todo este combate, empresto as palavras de David Harvey (geógrafo britânico, com foco na problemática urbana), para afirmar que também aqui “uma nova e radical elite financeira toma conta da cidade liderando uma coalizão pró-crescimento que habilmente manipula o apoio público e combina fundos públicos e privados para promover uma urbanização comercial em larga escala”. 

Os beneficiados e interessados nesta política financiaram larga e generosamente seus representantes na disputa eleitoral e obtiveram vantajosa vitória na combinação disto com o “consenso” criado em torno do crescimento a qualquer preço pela aliança entre os gestores e seu apoio político na Câmara Municipal e Assembleia Legislativa, as incorporadoras, os corretores, banqueiros e os chamados por Harvey de “coadjuvantes igualmente interessados e poderosos”: a mídia, as empresas esportivas, universidades, os políticos, as câmaras de comércio, etc...

A reeleição do nosso mandato, no entanto, tem o compromisso de estar na oposição disto, fortalecendo o movimento de reação que se organiza desde os bairros populares à classe média critica que percebe o destino nefasto de uma cidade que não consegue construir paz e sustentabilidade, fruição e fluidez, se continuar sendo um grande negócio a serviço da acumulação de riquezas e privilégios.