sábado, 16 de março de 2013

Manifestação pede apoio popular para evitar corte de árvores no Gasômetro

Câmara de Vereadores realizará audiência pública para debater ampliação da Edvaldo Pereira Paiva

Foto Fabiano do Amaral/CP
Dezenas de pessoas participam, na noite desta sexta-feira, de um ato de repúdio ao corte das árvores no entorno da Usina do Gasômetro. A ação, denominada Defesa Pública do Progresso, ocorre na Praça Júlio Mesquita com a colocação de cartazes, distribuição de folderes e mudas na Praça do Aeromóvel. A ação conta também com o acendimento de velas nos cepos das árvores cortadas pela prefeitura no início de fevereiro. O ato tem o objetivo de convocar a população para a audiência pública de segunda-feira.

De acordo com a cientista social Karoline Bitello, o grupo estão tentando buscar apoio da população para discutir a questão. “As pessoas estão desgostosas com essa obra e com a gestão do município. Nós queremos interromper por pelo menos mais alguns meses essa obra bilionária que visa apenas o alargamento da via para os carros e não resolve o problema do transporte urbano da cidade”, declarou.

O projeto ainda prevê o corte de mais 101 árvores para duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva e da João Goulart para a Copa do Mundo de 2014, a Beira Rio. O ato reuniu representantes de movimentos sociais em defesa do meio ambiente, ONGs, estudantes e apoiadores da causa.

Manifestações durante audiência vão pedir alternativas

Na próxima segunda-feira (18), a Câmara de Vereadores de Porto Alegre realizará audiência pública para debater o projeto de ampliação da avenida Edvaldo Pereira Paiva. O corte de 14 árvores no dia 6 de fevereiro causou a indignação dos moradores, gerando diversos protestos na cidade no último mês.

Para o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Francisco Milanez, o objetivo da audiência é comparar as diferentes alternativas tecnológicas para o trecho sem que ocorra prejuízo ao meio ambiente. Porém, ele avalia que a prefeitura não irá cumprir a lei que estabelece um estudo de impacto ambiental na região. “Eles não nos dão alternativas, e por isso temos que denunciar”, destacou. 

Segundo Milanez, uma boa alternativa para resolver o problema, e que não necessita gastar dinheiro, é realizar alterações no trânsito. “Pode-se, por exemplo, colocar duas mãos na João Goulart e fazer outras alterações sem que seja necessário duplicar as saídas do centro”, sugeriu.

O encontro ocorrerá às 19h no Plenário Otávio Rocha e terá a participação de moradores, vereadores e ambientalistas. Mais cedo, representantes do Movimento Viva Gasômetro irão ocupar o espaço “Tribuna Popular” da Casa Legislativa para defender a efetiva criação do Parque do Gasômetro. De acordo com a coordenadora do movimento, Jaqueline Sanchotene, a participação servirá como um apelo dos ambientalistas para que, se for feita a duplicação da via, ela ocorra com redução do impacto ambiental.

Matéria publicada no Portal do Correio do Povo.