terça-feira, 30 de abril de 2013

Estudantes querem manter meia-entrada na Copa 2014

A Copa não pode ser um período de exceção, quando se revogam todos os direitos conquistados.Sofia Cavedon.

Foto Desirée Ferreira/CMPA
O Plenário Otávio Rocha, da Câmara Municipal, recebeu estudantes na manhã desta terça-feira (30/4) para a reunião da Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece), presidida por Sofia Cavedon, vereadora petista da capital. Na pauta do encontro, o projeto de lei do Executivo 11/2013, que trata do preço dos ingressos para os jogos da Copa do Mundo em Porto Alegre.

Foto Desirée Ferreira/CMPA
Conforme o texto da proposta, o valor será determinado pela Fifa, não se aplicando normas municipais de concessão de gratuidade, redução de preço, meia-entrada ou qualquer outra forma de subvenção a consumidores. Com isso, o benefício aos estudantes perderia a validade durante a realização do evento. Segundo o secretário João Bosco Vaz, da Secretaria Municipal Extraordinária da Copa 2014 (Secopa), o projeto atende a um pedido do governo federal. “A prefeitura está fazendo o que foi acertado com a União. A venda de bebidas nos estádios já foi revogada para os jogos da Copa, depois que um projeto do governador Tarso Genro foi aprovado na Assembleia. Estamos fazendo o que é necessário para termos os jogos em Porto Alegre”, justificou.

Surpresa 

Foto Desirée Ferreira/CMPA
Para a vice-presidente Sul da União Nacional dos Estudantes (UNE), Ana Lúcia Velho, a justificativa não é convincente. “A justificativa do projeto diz que a Fifa pediu. Então a Fifa pede para retirar um direito da juventude e a prefeitura vai lá e acata? A Câmara tem que discutir isso.” Ana Lúcia ressaltou que existe uma discussão para ampliar o benefício estudantil, já que a lei é pouco abrangente na Capital. “Fomos pegos de surpresa com o projeto que quer retirar este direito para a Copa do Mundo. Isto faz parte de um conjunto de medidas da prefeitura de ataque à população”, afirmou, citando o corte de árvores na orla do Guaíba, o fechamento de bares no bairro Cidade Baixa e o aumento da passagem de ônibus. “Todas essas medidas foram tomadas pelo prefeito Fortunati sem nenhum diálogo.”

Foto Desirée Ferreira/CMPA
Representando a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes/RS), Ana Caroline Andres da Silva disse que “a Copa é importante, mas não podemos jogar nossa soberania no lixo por causa de uma imposição”. Acrescentou que, se o projeto de lei for aprovado como esta, o benefício será revogado até o fim de 2014, ou seja, inclusive para os demais jogos de futebol do restante do ano. “Defendemos a realização da Copa, mas os estudantes têm todo o direito de participar.

Não queremos nenhum direito a menos”, salientou Fabíola Pavani, da União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas (Uges).

Foto Desirée Ferreira/CMPA
“Se a Copa é só em junho, por que o projeto vai até dezembro? A lei municipal já é deficiente. Precisamos questionar por que a prefeitura não está fazendo o enfrentamento que tem que fazer”, complementou Isadora Dias Vargas, da UEE/Livre.

Sofia lembrou que os movimentos de resistência à Copa ocorreram na África do Sul e em outros lugares. “Todos querem que o evento traga melhorias. Só que a forma como se está instalando a Copa é que tem gerado resistências. São justificativas para muitos negócios não tão respeitosos e para a retirada de famílias pobres de diversos locais”, explicou. “A Copa não pode ser um período de exceção, quando se revogam todos os direitos conquistados.

A presidente da Cece também elogiou a grande participação feminina no movimento estudantil.

Emenda

Sofia, juntamente com a vereadora Séfora Mota (PRB), que também participou da reunião, informou que será encaminhada uma emenda ao projeto para garantir a manutenção do benefício aos estudantes durante a Copa 2014.

Fonte: Portal da CMPA