sexta-feira, 14 de junho de 2013

Passagens de ônibus - Manifestação em Porto Alegre termina em cerco, violência e prisões

Foto Ramiro Furquim/Sul21
A manifestação contra o aumento da passagem de ônibus que ocorreu na noite desta quinta-feira (13) em Porto Alegre terminou em uma batalha campal no bairro Cidade Baixa. 

Milhares de pessoas começaram a se reunir em frente à prefeitura, no Centro, às 18h, e, após às 21h, quando a marcha chegou à avenida João Pessoa, teve início o confronto direto entre a Brigada Militar e parte dos ativistas. Até este momento, a caminhada vinha se desenvolvendo em um clima bastante tenso. Já no início, por volta das 19h20min, quando os manifestantes começaram a marchar pela avenida Júlio de Castilhos, a Brigada Militar acompanhou o cortejo com o regimento montado. A cavalaria seguia junto com os ativistas pelas laterais do cortejo.

Os cavalos estavam visivelmente apavorados com a multidão e com os barulhos – como gritos de protesto e sons de instrumentos musicais. Bem no começo da caminhada, um dos cavalos ficou incontrolável e acabou caindo, mesmo com o policial em cima.

Imagem web
Ruas da Cidade Baixa ficaram repletas de gás lacrimogêneo 

O confronto direto com a Brigada Militar começou a se estabelecer quando os manifestantes estavam na avenida João Pessoa, a partir do momento em que cruzaram com a esquina da avenida José Bonifácio – deixando, portanto, a área do Parque Farroupilha. A polícia cercou a marcha por trás, pela avenida José Bonifácio, e pela frente, através da avenida Venâncio Aires. Cerca de dez bombas – entre efeito moral e gás lacrimogêneo – foram disparadas pela Brigada Militar, além de diversos tiros com balas de borracha. Apavorados, os jovens saíram correndo em todas as direções. Muitos tentaram se refugiar na rua Olavo Bilac. A polícia também se dividiu para perseguir os ativistas.

Foto Ramiro Furquim/Sul21
Com isso, a manifestação já estava completamente dispersada e as ruas da região estavam infestadas de gás lacrimogêneo – afetando também os moradores e quem circulava pelas redondezas. O empresário Alberto Oliveira, que mora no segundo andar de um prédio na avenida João Pessoa, em frente à avenida José Bonifácio, precisou deixar sua residência devido aos efeitos do gás lacrimogêneo. “Vi uma situação que me deixou impotente e ferido. Tive que sair de casa porque não conseguia respirar, por causa das bombas. E fiquei muito preocupado com minha filha, que estava chegando da faculdade e poderia ficar presa no meio do confronto”, relata.

Ele ainda desceu até a rua para ajudar uma pessoa que apresentava ferimentos devido às balas de borracha. “Me senti o último dos cidadãos, na última das cidades, na maior situação de covardia que já vi na minha vida. Só tinha presenciado algo parecido na década de 1970, quando era estudante de primeiro grau e vi a Brigada correndo atrás de estudantes, a cavalo, pela avenida Borges de Medeiros”, compara.

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