quinta-feira, 25 de julho de 2013

Ao humano que movimenta o transporte público - Por Sofia Cavedon

Artigo de Sofia Cavedon em homenagem ao Dia do Motorista (25 de julho) 

Arte Cynthia Salles
O transporte coletivo - sua qualidade, o preço da passagem, a fragilidade das concessões, o passe livre para os estudantes - está no centro dos debates e das mobilizações deste turbulento ano de 2013.

Quase invisíveis estão os trabalhadores deste setor, o impacto destas dimensões em seu trabalho e suas vidas. A tensão aumentada pela pressão da população em função da super lotação, do atraso sistemático, da falta de climatização e acessibilidade, tem no motorista e no cobrador a primeira válvula de escape. De outro lado, os dados do mês de junho assustam: aumentaram os assaltos e agressões nos coletivos praticados não só contra a tripulação, mas também aos passageiros.

Dirigindo a atenção e a escuta a estes trabalhadores, que muitas vezes sequer cumprimentamos ao ingressar no ônibus, vamos descobrir que enfrentam tudo isto com condições pouco dignas, suportes frágeis e jornadas extenuantes.

Tentem imaginar uma jornada de trabalho no ônibus, que inicia às 7h e termina às 18h – o chamado e questionado “tabelão” o entra e sai dos passageiros controlados por três espelhos, e a advertência do cobrador – pois que a alteração para ingresso pela porta da frente e saída pela de trás piorou as condições de visibilidade, além de colocar os passageiros andando contra o fluxo – com muito mais tombos e acidentes.

Pensem no efeito deste cobrador ou cobradora desviando todo o tempo o joelho da roleta, eis que ela não é adaptada de maneira a não atingi-los! Passem nos finais de linha, onde os trabalhadores fazem o intervalo (muitas vezes largo demais para resolver os horários das linhas) ou suas necessidades, e encontrarão espaços com péssimas condições de lanche, descanso ou banheiros – quando estes existem!

Todos trabalhadores tem suas dificuldades, dirão, porém, quando eles são ouvidos sobre o processo de trabalho, a construção de qualidade e maior conforto na sua atuação é bem mais provável! Que dirá estes, que carregam milhares de pessoas, num trânsito sempre tenso e conflitado, que conhecem em detalhes os trajetos, os veículos, os obstáculos, a demanda!

Interessa, pois, a todos que lutam por um transporte público de qualidade e tarifa justa, que os rodoviários participem da gestão, sejam protagonistas desta construção, tenham sua organização sindical reconhecida – quando eleita democraticamente - e sejam respeitados e apoiados por todos no enfrentamento de condições tão difíceis diante da enorme responsabilidade com o que conduzem!

Sofia Cavedon – vereadora do PT de Porto Alegre.