terça-feira, 30 de julho de 2013

As mobilizações populares e as perspectivas para a cidade que queremos - Seminário da Bancada do PT

Foto Marta Resing
Representantes dos movimentos sociais foram chamados a participar do Diálogo: rumo à Cidade que Queremos, proposto pela Bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara Municipal de Porto Alegre. Na tarde desta segunda-feira (30/7), o debate teve como foco as mobilizações populares.

Falando em nome da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop – Sul, Malu Viana pediu o fortalecimento da parceria entre o poder público e os movimentos organizados. “Várias demandas precisam ser encaminhadas, mas não existem canais de diálogo.

A juventude está clamando por isso”, afirmou. Anderson Girotto, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), propôs uma reflexão interna. “Temos que olhar para dentro do partido e fazermos uma auto-crítica. Está na hora de retomarmos a ousadia revolucionária.”

Foto Marta Resing
Já Bruna Rossi Koerich, do Levante Popular da Juventude, lembrou que os jovens que tomaram as ruas de Porto Alegre vêm se organizando há um bom tempo. “São sujeitos urbanos que pensam a cidade. Estão lá a Massa Crítica, o pessoal que lutou contra a privatização do largo Glênio Peres, contra o corte das árvores.” Segundo ela, é necessário que se criem mecanismos de diálogo. “São jovens críticos que não se sentem contemplados com bandeiras vermelhas. Não sabem qual a história dessas bandeiras. Enxergam nelas apenas burocracia. Será por que a esquerda optou pela via institucional e deixou de lado algumas lutas?”, questionou.

Presidente da Comissão do Dissídio dos Rodoviários, Alceu Weber ressaltou que os jovens manifestantes são progressistas e querem mudança. “O movimento ganhou força quando a juventude percebeu que a luta pelo transporte público é a mesma luta dos rodoviários. Por isso estamos juntos”.

Representando os metroviários, Rubens Pazim comentou que a lógica do capital que domina as cidades é que gerou este movimento. “Precisamos dar respostas a essa juventude que está nas ruas.”

Destacando a questão de gênero, a secretária estadual de Políticas para Mulheres do PT, Emília Guerreiro, salientou que os espaços públicos de poder são ocupados de forma avassaladora por homens. “A mulher participa da vida política, mas sem ocupar esses espaço. O Brasil ocupa a posição 130 na participação das mulheres, inferior ao Afeganistão e ao Iraque. Eu me pergunto: nós usamos burcas? Acredito que sim!”

Foto Marta Resing
O papel da Bancada do PT 

Antes do painel com os movimentos sociais, os vereadores do PT da Capital falaram sobre a conjuntura atual e apresentaram alguns projetos. Presidida pela ex-vereadora Margarete Moraes, a primeira mesa da tarde foi aberta pela fala de Sofia Cavedon.

A vereadora destacou a situação de abandono da cidade a partir do desmantelamento do setor público. “O atual governo municipal tem uma grande aliança com o setor econômico da cidade, com a concessão de privilégios nos índices construtivos ou no afrouxamento das concessões. E o interesse público vai ficando para trás.”

Foto Mario Pepo
Na visão dela, é importante repensar o modelo de cidade. “A bancada encontrou uma unidade, mesmo dentro dessa complexidade de sermos governo no Estado e no País junto a outros partidos que estão na administração Fortunati. Tiramos a linha de que não há combate de partido, mas de modelo de gestão”, explicou.

Na mesma linha, Mauro Pinheiro salientou que os casos de corrupção que têm ganhado destaque na atual gestão. “O governo está partilhado por vários grupos políticos, que não trabalham para o interesse público”. Lembrou as denúncias de corrupção na Procempa. “Já na CPI do Ronaldinho, que eu presidi, aparecia o descontrole na Procempa com o desvio de recursos públicos. E o presidente que foi afastado, hoje está no gabinete do vice-prefeito.”

O líder da Bancada ressaltou que o modelo de cidade do PT é diferente do atual. “É uma cidade democrática, que aprofunde a participação popular”, disse o Engenheiro Comassetto, que destacou a importância do projeto de gestão pública do transporte coletivo proposto pelos vereadores petistas. Ele concluiu dizendo: “Se não praticarmos o diálogo na essência, não vamos conseguir fazer com que a teoria e a prática andem juntas.”

Vereador de primeiro mandato, Marcelo Sgarbossa disse que a intenção é provocar reflexões dentro do partido. “Para discutir a cidade que queremos, temos que olhar para a frente. Para isso, temos que retomar a escala humana. A bicicleta é um instrumento dessa retomada. Usá-la no dia a dia é uma forma de praticar isso”. Citou alguns projetos de lei, como a redução do limite de velocidade na Capital, o incentivo ao uso de energia solar e o transporte de pequenos animais em ônibus. “As bandeiras e os cartazes que apareceram nas mobilizações são as pautas que estavam no surgimento do PT. Para mim, partido é sonho e utopia. É isso que temos que construir.”

Também estreante na Câmara Municipal, Alberto Kopittke ressaltou a importância de juntar toda a bagagem do passado do PT para que se possa avançar. Segundo ele, para construir essa nova cidade é fundamental mostrar que é possível vencer a violência em Porto Alegre. “Não é da velha forma, enchendo a prisão de jovens pobres, que vamos vencer a criminalidade. Precisamos de ousadia para isso. Temos que ter o direito de sonhar. Precisamos ser utópicos.”

Texto: Maurício Macedo (reg. prof. 9532)

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Qual a Porto Alegre que queremos?- Seminário da Bancada do PT