terça-feira, 23 de julho de 2013

Sem plebiscito, a reforma não sai - Por Sofia Cavedon

Artigo publicado no Jornal do Comércio desta terça-feira (23/7) 

As marchas pelas ruas e as pautas nos cartazes, nos coros, nas pichações, nas faixas durante este junho extraordinário, fizeram com que a massa da população brasileira começasse a identificar em muita gente sua insatisfação com questões da política, da corrupção, dos investimentos na copa do mundo, dos preços no supermercado, da violência do cotidiano, das filas e falta de leitos na saúde e perceber a força da mobilização coletiva.

O menor índice de desemprego da história e as potentes políticas de investimento em infraestrutura e de impulsão do desenvolvimento nos defendendo da crise mundial; as novas vagas de ensino técnico, na Universidade, até no exterior - ao lado da vasta política de erradicação da miséria - longe de acomodar, mostraram-se mobilizadores por mais cidadania, probidade dos representantes e qualidade das políticas públicas.

Assim como as insatisfações sobre as políticas públicas estavam diluídas, fragmentadas, gerando nas pessoas a sensação de impotência, a falta de acompanhamento e compreensão clara do sistema político, das estruturas de poder, produz a mera rejeição da política de forma geral.

Como uma das respostas às manifestações das ruas, o plebiscito poderia ser o grande instrumento político-pedagógico que provocasse a reflexão em massa pela população brasileira sobre o contrato social construído até aqui, e porque dirá de forma inequívoca o que e quanto espera o povo de seus representantes no Congresso Nacional de mudança do marco legal para que este contrato avance. Se instituísse a pergunta, o Congresso empoderaria a resposta. Ao ser consultado formalmente, o povo sai das redes e das ruas para a produção de novos marcos legais! Ao perguntar, o Congresso se poria em análise, tornaria-se, finalmente, permeável à vontade do soberano: o povo brasileiro.

Infelizmente, a massa que está nas ruas, que ocupa as Câmaras Municipais, que paralisou o Brasil no dia 11, não entendeu a força de sua voz instituída! Estão insatisfeitos e pressionam os parlamentares por respostas a políticas públicas e por transparência e mudança de prioridades. Parlamentares que, por seus compromissos com os setores que os financiam, não o farão!

Crise de representação resolve-se devolvendo ao representado sua condição de definidor da representação. Mais democracia para reinventar a democracia: a que vai levar o Brasil ainda mais longe em sua marcha, que já produz justiça social e cidadania!

Sofia Cavedon - Vereadora/PT