sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Para mudar a política - Por Sofia Cavedon

Artigo publicado na edição impressa de 18/10/2013 do Jornal do Comércio.

As grandes manifestações que a sociedade brasileira protagonizou, assistiu e apoiou no mês de junho, em que a juventude teve papel destacado, iniciadas contra o aumento das tarifas de transporte público, generalizaram-se com a explosão de indignação contra o sistema político e a corrupção no País. Nunca o grau de descrença institucional foi tão grande no Brasil. Como afirmou recentemente o presidente do PT gaúcho e deputado estadual, Raul Pont, o sistema político e eleitoral brasileiro é viciado e submetido ao poder econômico.

Dos 513 deputados eleitos para a Câmara Federal, 369 estão entre os que mais gastaram em seus estados. Cada vez mais, as chances de eleição dependem da capacidade de financiamento de campanhas poderosas e extremamente profissionalizadas. E a maioria das contribuições das campanhas vem de pessoas jurídicas, em especial de grandes empresas – para quem a doação de campanha representa um investimento para o qual esperam retorno.

Eleições Limpas é o projeto de reforma política proposto pelo mesmo movimento que impulsionou a campanha da Ficha Limpa. Entre os pontos defendidos pelo projeto está a vedação ao financiamento privado de campanha, a criminalização do caixa dois e transparência nas contas e na escolha dos candidatos pelos partidos. O projeto propõe a adoção de um sistema eleitoral em que o voto seja dado a um partido e ao seu programa num primeiro turno e a eleição dos parlamentares ocorra num segundo turno, assegurando ao eleitor a palavra final sobre os eleitos. O Congresso eleito pelas atuais regras do jogo já mostrou que não tem vontade política para modificá-las. Portanto, é do movimento social que terá que vir a mudança; de uma Assembleia Constituinte eleita pelo povo é que pode se constituir a nova política que o Brasil precisa e merece.

A presidente Dilma Rousseff propôs um plebiscito para que os cidadãos decidam qual é o processo que acreditam melhor para a eleição de seus representantes, apostando, portanto, na mudança pelo protagonismo do povo brasileiro!

O grito das manifestações precisa ser para que o sistema político se torne, finalmente, permeável às demandas da maioria da população.

Sofia Cavedon - Vereadora/PT.

Fonte: Jornal do Comércio.