sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Livrarias de calçada se organizam para além da Feira do Livro de Porto Alegre

Foto Ramiro Furquim/Sul21
Feira além da Feira 

Nesta sexta-feira (1°), a Praça da Alfândega se abrirá para a 59° Feira do Livro de Porto Alegre e ali haverá de quase tudo: best-sellers, poesia cubana e manuais de pescaria para se ler, pastéis de camarão e pipoca doce para comer, jacarandás, flores e bancas para servir de cenário. No entanto, haverá uma estranha ausência na praça: a falta de livrarias de calçada que, abertas o ano todo com os seus acervos, não integram a Feira do Livro – e, desta vez, se organizam em outra atividade durante o mesmo período. A “Feira além da Feira” foi inaugurada ontem (31) e se estende até o dia 15 de novembro.

A Palavraria, situada na Rua Vasco da Gama, no bairro Bom Fim, sediou o primeiro evento, mas a iniciativa também reúne as livrarias Bamboletras e Sapere Aude e a Casa de Cultura Mario Quintana, que cede parte dos seus espaços. Na organização estão Gabriela Silva, doutora em Letras, Jeferson Tenório, mestre em Letras, Eduardo Cabeda, cineasta, Robertson Frizero, escritor, e Fernando Ramos, curador da Festpoa Literária. Para Carla Osório, uma das sócias da Palavraria, a movimentação paralela não aparece em oposição à Feira do Livro: “o evento surgiu de uma conversa, para aproveitarmos os nossos espaços durante este período”.

Foto Ramiro Furquim/Sul21
“Eu amava a Feira antes de ser livreira, ia muito nos anos 1980, quando me mudei para Porto Alegre. Mas depois passei a olhar com outros olhos. Hoje o livreiro vê a Feira com tristeza, porque quer estar lá e não pode”, diz Lu Vilela, proprietária da Bamboletras. A jornalista, que mantém a livraria há dezoito anos, conta que não há condições equilibradas para que as livrarias disputem espaço com editores e distribuidores. “Por que os editores não repassam um desconto maior para os livreiros? Esta é a minha reclamação. Afinal, é preciso ter condições mais justas na Feira do Livro, um evento que é organizado com dinheiro público, de leis de incentivo à cultura”, opina Lu Vilela. 

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