terça-feira, 12 de novembro de 2013

Professores questionam forma de implantação de pacto

Foto Francielle Caetano/CMPA
"Muito grave as denúncias da forma como está sendo desenvolvido o Pacto pela Alfabetização na Rede Municipal de Ensino: assédio moral, seleção de professores sem 'faltas, estudo ou gestação', acréscimo de carga horária e mudança de regência sem critério pedagógico!" - Sofia Cavedon.

A Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece) da Câmara Municipal de Porto Alegre debateu, na tarde desta terça-feira (12/11), a aplicação do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) na Rede Municipal de Ensino. A reunião foi motivada por um manifesto entregue por professores em referência à falta de diálogo da Secretaria Municipal de Educação (Smed) com a classe, o que estaria causando problemas.

Foto Divulgação Gabinete
A representante da Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (Atempa), Silvana Moraes, falou da ilegalidade do Pacto, “uma vez que iniciou contrariando algumas diretrizes das escolas, como a promoção da sobrecarga de tarefas e o engessamento das ações – garantindo pouco espaço para negociação”.

De acordo com Silvana, que diz ser favorável ao Pnaic, a ideia de procurar o Legislativo Municipal para o diálogo partiu de uma série de reuniões dos trabalhadores. “O que nós queremos é que o Pacto tenha a dimensão a que se propõe: a da educação continuada”, defendeu, dizendo que o problema está no fato do regramento do Pnaic estar acima das questões estatutárias, desrespeitando os servidores. A dirigente e outros educadores presentes questionaram o assédio moral institucionalizado que estariam sofrendo, já que os professores são coagidos a participar do Pacto.

Foto Francielle Caetano/CMPA
Diante dos problemas levantados, a vereadora Sofia Cavedon (PT), presidente da Cece, questionou a dificuldade dos professores participarem, a falta de sensibilidade do Executivo em adaptar o Pacto ao dia-a-dia das escolas e a obrigatoriedade para que os profissionais participem do Pnaic. “Não deveria ser por adesão?”, indagou. “É uma busca de resultado que todos nós desejamos, mas do jeito que está sendo feito, ele é excludente e tem causado confusão com os professores da rede pública”, avaliou Sofia. “Me parece que são todas questões de ingerência do Município, e não problemas do Pacto em si.”

Contraponto 

Vitor Alexandre Ribeiro, coordenador adjunto do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino, disse não ser o mais apto a responder às questões por não participar diretamente do Pacto, mesmo assim garantiu que o programa “é um divisor de águas” na educação. No entanto, ele admitiu que há falhas e que elas podem ser sanadas. “Realmente algumas questões não foram pensadas, mas as reclamações podem ser procedentes e é sensato encontrar soluções para o próximo ano”, afirmou, garantindo que todas as reclamações trazidas serão levadas adiante.

Diante da falta de respostas objetivas, ficou acordado entre os presentes uma nova reunião da Cece – que deve ocorrer em, no máximo, 15 dias – com a participação do Executivo e da Atempa, como forma de pensar alternativas para o próximo ano. Também participaram da reunião os vereadores João Derly (PCdoB) – proponente da reunião –, Professor Garcia (PMDB) e Tarciso Flecha Negra (PSD).

Ouça: Professores pedem ajustes em pacto pela alfabetização

Fonte: Portal CMPA.