sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Seminário das Boas Práticas Pedagógicas - Experiências são apresentadas

Foto Mario Pepo
No segundo dia do Seminário das Boas Práticas Pedagógicas, promovido pela Comissão de Educação da Câmara Municipal de Porto Alegre, iniciou com os questionamentos: O que é uma boa prática? Onde estão as boas práticas? Como fortalecer e ampliar as boas práticas? 

Conforme a a professora da PUCRS, Ana Lucia Freitas, que fez os questionamentos e a mediação da Mesa de Relatos do encontro, as respostas não são neutras e mobilizam a tomada de posição dos educadores. Para provocar o debate a professora fez o questionamento e compartilhou a sua compreensão. "Uma boa prática é uma prática utópica. Contrariamente ao senso comum, em a utopia é sinônimo de inalcançável, me referencio na compreensão de utopia como sonho possível, ideia-ação que se faz mobilizadora a partir de um duplo movimento: a denúncia de uma realidade desumanizante e o anúncio de novas possibilidades". 

Foto Leonardo Contursi/CMPA
Assim, afirma Ana, "considero que as boas práticas não estão somente na Finlândia, ou em outros tantos lugares geográfica e culturalmente distantes. As boas práticas também estão próximas, embora sejam invisibilizadas. Por isso, fortalecer e ampliar as boas práticas inicia por dar visibilidade às boas práticas já existentes, incentivando o diálogo entre educadores e educadoras para que se fortaleçam, na partilha de experiências e da reflexão sobre elas". Estas e outras questões acerca das boas práticas na escola – e na universidade - merecem amplo debate, destaca a professora, "para que possamos atualizar a compreensão de que, como nos ensina Paulo Freire, “mudar é difícil, mas é possível e urgente”!"

Para ela a expressão sugere familiaridade a quem já tenha participado, de alguma forma, do movimento de valorização da educação organizado pela Comissão de Educação, Cultura, Esporte, Lazer e Juventude da Câmara Municipal de Porto Alegre. "No ano passado, tive a oportunidade de participar de uma roda de conversa, promovida pela vereadora Sofia Cavedon, para refletir sobre as boas práticas com educadores e educadoras durante a Feira do Livro em Porto Alegre.

Foto Leonardo Contursi/CMPA
Nesta ocasião, pude melhor compreender o sentido da Caravana das Boas Práticas Pedagógicas, projeto desenvolvido, desde 2011, pela Câmara Municipal de Porto Alegre. Realizando visitas às escolas públicas da rede municipal, estadual e privada, a caravana se realiza como um movimento educativo, dando visibilidade ao trabalho de educadores e educadoras que testemunham o potencial transformador da educação. Mais do que isso, a caravana desafia educadores e educadoras à autoria de suas práticas, registrando e compartilhando as suas experiências. Deste modo, a caravana chama atenção para um dos legados do educador Paulo Freire, que nos alerta: “o educador e a educadora críticos não podem pensar que, a partir do curso que coordenam ou do seminário que lideram, podem transformar o país. Mas podem demonstrar que é possível mudar. E isto reforça nele ou nela sua tarefa político-pedagógica”, ressalta Ana Freitas.

Relato das Experiências 

Foto Leonardo Contursi/CMPA
Escola Estadual Motta e Silva - Apresentado pela coordenadora do projeto, professora Maria Elisabete Machado, a proposta da escola auxilia na evolução do aprendizado dos conteúdos pedagógicos e do autoconhecimento individual e coletivo. Trata-se de um velho conhecido, o diário de classe, caderno onde são descritos os momentos vivenciados no dia-a-dia de cada uma das crianças e que tem servido como um forte aliado para a mudança de comportamento. que coordena o projeto, de um velho conhecido, o diário de classe, caderno onde são descritos os momentos vivenciados no dia-a-dia de cada uma das crianças e que tem servido como um forte aliado para a mudança de comportamento.

Escola de Educação Infantil Neo-Humanista Ananda Marga - A escola é gerida pela Associação Beneficente AMURT-AMURTEL, cujo objetivo é a promoção do indivíduo, da criança, da família e da comunidade, em todas as suas dimensões, baseada nos ideais universalistas do neo-Humanismo. A partir disso, diz Lucilene Rosa, coordenadora do projeto desenvolvido pela instituição e que se baseia na Alimentação Saudável (lacto vegetariana), ética e moral, mediação e ioga - princípios que norteiam o trabalho pedagógico das cinco instituições de Educação Infantil Comunitárias Ananda Marga conveniadas com a prefeitura, e que atendem 300 crianças.

Escola Amigos do Verde - A diretora fundadora da instituição, Sílvia Carneiro, apresentou o projeto desenvolvido na escola que é voltado à alimentação saudável dos alunos, com alimentos cultivados sem o uso de agrotóxicos. Quase 90% dos alimentos oferecidos aos 130 estudantes, nas cinco refeições diárias, são adquiridos de produtores que fazem o cultivo de orgânicos, ou seja, alimentos cultivados sem o uso de agrotóxicos. “A escola existe há 30 anos. Fizemos a opção por uma alimentação consciente”, destacou Sílvia Carneiro. Todo o material orgânico que passa pela mesa das crianças é depositado depois em uma composteira virando adubo para as duas hortas da escola, onde os alunos recebem lições sobre o cultivo de alimentos.

Colégio Estadual Coronel Afonso Emílio Massot - A escola apresentou os vários projetos que desenvolve. A professora Maria do Carmo Lopez , supervisora dos Projetos por área, salientou que são realizados um por trimestre, iniciando com a Arte e Literatura (Linguagens), que edita o Jornal Massot Times; o Horta Escolar (Matemática e Natureza), que faz a medição de área para definição de canteiros e posterior preparo da terra para plantio; e o Mídias e Educação (Humanas) que desenvolve a releitura de textos. No terceiro semestre a instituição realiza o projeto: “Da pedra ao chip” que faz o registro e a divulgação do trabalho realizado pelos eixos e seus grupos durante o ano.

EEEF Vera Cruz - Desde 2011, os alunos da escola têm realizado projetos envolvendo as diversas linguagens da arte: artes visuais, dança, música, teatro, literatura. A professora e arte-educadora, Dóris Rosana de Albuquerque Pickrodt, coordenadora do projeto Mais Educação, apresentou o projeto “Artistas de ontem, hoje e amanhã”, que reúne trabalhos de alunos, de seis a 14 anos, sobre obras de pintores famosos como Van Gogh, Tarsila do Amaral e Cândido Portinari. O objetivo da proposta é desenvolver, através da arte, uma cultura de paz, a sociabilidade, o senso crítico, a visão de mundo das crianças e adolescentes.

EMEF Heitor Villa Lobos – Cristiane Cabral, coordenadora do projeto de Robótica da escola, apresentou a proposta que ficou este ano entre as 10 melhores equipes de Robótica do Mundo e foi campão mundial na técnica, no encontro realizado na Holanda. A Escola desenvolve o projeto Robótica Educacional, que é a aplicação da tecnologia, possibilitando expandir o ambiente de aprendizagem de forma lúdica e desafiante, utilizando na montagem dos robôs peças de Lego, sucatas e o computador, para dar animação aos modelos criados. As oficinas de Robótica ocorrem uma vez por semana no turno inverso ao das aulas.

EMEI Pepita Leão - Segundo Francisco Dutra dos Santos Jr., pedagogo da Educação Especial, a instituição optou por uma estrutura pedagógica que integra diversas atividades com um conjunto dos projetos sendo desenvolvidos por vários professores, como: grupo de dança, coral, robótica, laboratório de aprendizagem, esportes variados, centro de línguas, laboratório de inteligência de ambiente urbano e o Escola de Leitores – que recentemente foi premiado pelo trabalho de incentivo à leitura.

Foto Mario Pepo
Anglo pré-vestibulares - O coordenador cultural, Emerson Guimarães, mostrou o projeto Aula 360°, que está em sua segunda edição do SAM22 – A Semana Que Não Acabou. Conforme o professor, "acreditamos que o aprendizado se dá de várias formas. Cada pessoa aprende melhor de determinada maneira. Algumas respondem melhor ao estímulo visual, outras ao auditivo, outras através de processos de repetição mecânica (como o ato de escrever). Por isso, criamos o projeto da aula 360°". A aula especial tem como temática a Semana de Arte Moderna, e visa estimular ao máximo todos os sentidos do aluno, fazendo com que ele sinta que está “dentro” da matéria.

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