sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Um ano do corte das árvores no entorno do Gasômetro

"Um ano do corte das árvores na Usina - vida e resistência: a árvore cortada renasce, as marcadas para morrer recebem nosso abraço! #escolhosustentabilidade" - Sofia Cavedon 

Atenção: Marcada audiência pública na Câmara de Vereadores sobre o Parque Gasômetro. Será dia 24 de março (segunda-feira). O projeto de lei irá à votação no dia 26 de março (quarta-feira). Também marcada para o dia 10 de março (segunda-feira) a audiência pública sobre o Plano Cicloviário.

Ato celebra resistência a corte de árvores no entorno do Gasômetro 

Matéria publicada na edição impressa de 06/02/2014 do Jornal do Comércio, antes da realização do encontro.

Foto Sofia Cavedon
Movimentos sociais e ambientalistas fazem hoje um ato alusivo ao início do movimento que tentava impedir a retirada de árvores do entorno da Usina do Gasômetro em Porto Alegre. Organizado pelos ativistas do Quantas Copas Por Uma Copa, do Largo Vivo e do Orla Autônoma, a reunião prevê diversas atividades, como shows e debates, a partir das 18h, na Praça Júlio Mesquita e arredores, onde ainda restam oito árvores.

As sobreviventes foram protegidas por liminar do Ministério Público, que alega que uma lei municipal que cria o Parque do Gasômetro protege esses vegetais. As árvores envolvidas nesse imbróglio judicial e que ainda não foram derrubadas foram marcadas pela organização do encontro com tecido vermelho.

A ideia do encontro de hoje é reunir todos os envolvidos no movimento, além de simpatizantes, para evitar mais cortes. Para o grupo, as árvores ainda preservadas simbolizam a resistência que marcou todas as atividades desde 6 de fevereiro do ano passado, quando moradores constataram que vegetais estavam sendo cortados e subiram nos restantes para evitar o prosseguimento da ação.

A derrubada de 115 árvores, que era prevista no projeto de duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva (Beira-Rio) - preparatório para que a cidade receba a Copa do Mundo neste ano - tornou-se alvo de protesto. Naquele dia, por conta da mobilização, apenas 14 das 115 marcadas foram abatidas.

Foto Mario Pepo
O movimento iniciado em fevereiro culminou no Ocupa Árvores, um acampamento ao lado da Câmara Municipal de Porto Alegre, que permaneceu em vigília por mais de um mês, ancorando-se em liminar obtida pelo Ministério Público para interromper as obras.

O grupo só foi retirado do local por força policial na madrugada do dia 29 de maio do ano passado, quando 200 policiais recolheram as barracas e prenderam os ativistas por desobediência e desacato.

Na ocasião, a prefeitura havia conseguido junto à Justiça um pedido de reintegração de posse, que estipulava o prazo de 48h para que os ativistas deixassem o local. O próprio Executivo chegou a retirar o documento, mas, na madrugada do dia 29, surpreendeu os ativistas com a ação policial. Recentemente, 13 dos 27 manifestantes que foram presos durante a operação conjunta da Brigada Militar e de órgãos da prefeitura de Porto Alegre entraram com uma ação contra o governo do Estado e o Executivo municipal por abuso de poder na desocupação.

Foto Mario Pepo
Apesar de a reunião celebrar o ato de resistência dos ativistas, o balanço é negativo. “Não tem como compensar uma árvore plantada há anos com uma muda”, lamenta a integrante do movimento, Inês Chagas. A compensação proposta pelo Executivo para os cortes foi de um plantio de 401 mudas, que ainda não foi concluído.

“O governo tem rabo preso com as empreiteiras, que até passaram asfalto em raízes de árvores cortadas. Pelo menos estamos conseguindo levar essa resistência longe, porque, em outros locais, arrancam as árvores e pronto. Conseguimos adiar”, avalia ainda Inês.

O empresário Flavio Sachs Beylouni, que também integra o movimento, defende que é importante a reunião para manter a fiscalização aos supostos abusos decorrentes de obras na Capital. 

Fonte: Portal do Jornal do Comércio.