quinta-feira, 24 de abril de 2014

Escolas Municipais da Restinga não têm segurança e nem professores

Foto Desirée Ferreira/CMPA
A Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece) da Câmara Municipal de Porto Alegre, juntamente com a Frente Parlamentar em Defesa dos Servidores Municipais e dos Serviços Públicos de Qualidade, realizou na manhã desta quinta-feira (24/4), uma reunião com os conselhos escolares das escolas municipais da região extremo-sul da Capital. O encontro foi na EMEF Dolores Alcaraz Gomes, localizada à Rua Dr. Carlos Niederauer Hofmeister, 85.

A professora do 1º ano do 1º Ciclo Carolina Chagas Scheneider relatou os problemas que a escola vem enfrentando desde do início do ano letivo. De acordo com Carolina, a falta de professores e de segurança são os maiores problemas. “A escola está abandonada. Não temos o setor de Recursos Humanos. O esgoto corre a céu aberto do lado do refeitório. O bebedouro não funciona, falta professor de matemática, educação física e não temos banheiros adequados”, disse. Carolina afirmou que a Smed deixou tudo em cima da hora para organizar o ano letivo.

Outro problema relatado pela professora é a falta de segurança. Não tem mais guarda municipal na frente da nossa escola. “As escolas da Restinga viraram reféns das gangues e das drogas. Estão brincando com a vida dos alunos e dos professores”, destacou Carolina. Uma estudante da Escola Mário Quintana fez um desabafo. “Tenho que fazer um trajeto maior para chegar à escola, porque não posso passar pela avenida principal, dominada por uma das gangues”, conta.

A estudante contou que assaltantes invadiram a escola, roubaram telefones, computadores, merenda e ainda depredaram salas de aulas. “Dentro da escola, o cenário é desolador. Salas com vidros quebrados, portas arrancadas, sem fechaduras, problemas na iluminação. Para completar o quadro há relatos de tráfico de drogas (inclusive dentro da instituição de ensino)”, disse. Segundo ela, foi enviado ofício à Secretaria Municipal da Educação (Smed). Mas, seis meses depois do ocorrido, nada foi feito.

Foto Desirée Ferreira/CMPA
A vereadora Sofia Cavedon (PT), vice-presidente da Cece, encaminhou na reunião, que fosse feita uma audiência pública à noite, na Câmara Municipal, depois da realização das quatro reuniões que a Comissão fará com o objetivo de ter um diagnóstico das escolas municipais. “Daqui uns 15 dias teremos um diagnóstico nas escolas”, disse Sofia que pretende encaminhar estes problemas para a secretaria municipal de Educação, Cleci Jurach, e convidá-la para a audiência.

Falta de segurança e RH foram os problemas mais apontados

A professora de laboratório de aprendizagem da EMEF Nossa Senhora do Carmo Maria Regina Fenalti Baumgarten também reclamou da falta de segurança. “O que adianta colocar as crianças na escola se não tem quem cuide”, questionou. Maria Regina afirmou que professores acabam trabalhando além do seu horário. No ano passado a direção da escola se reuniu com a Smed, que prometeu colocar um gradil na escola e resolver a questão do estacionamento, já que os carros de professores estavam sendo depredados. A Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov) concluiu o serviço de conservação em frente à Escola Municipal Nossa Senhora do Carmo, localizada na Rua 7149. “Em 140 metros da via, foi colocado asfalto, mas não tem faixa de segurança e sinalização adequada”, disse.
Foto Desirée Ferreira/CMPA

Andréa Zortea, professora de história da EMEF Mário Quintana, destacou que o maior problema das escolas é a falta de RH. “Quando um professor sai da escola, fica um vácuo dentro da escola, e os alunos ficam sem aula”, salientou. Andréa reclamou da falta de planejamento da Smed. “Tenho 15 anos de prefeitura, ninguém dá conta do recado, é um verdadeiro escândalo. Precisamos de uma política intersetorial”, disse. Sobre a questão orçamentária, Andréa também questionou a aplicação do dinheiro nas escolas. “Na nossa escola nós temos um fogão de 15 anos atrás e nunca foi feito um reparo”, desabafou. 

Rose Menezes, professora do terceiro ano da Escola Municipal Lidovino Fanton, falou que a escola recebeu semana passada o uniforme de verão. “Como as crianças vão usar este uniforme agora, se vai começar o inverno daqui um mês”, ponderou. Rose também se queixou da falta de segurança e de pessoal na escola. “A nossa diretora tem que ir às 6 horas para abrir o portão porque não tem guarda municipal. Os alunos pulam o muro, entram e saem à hora que querem”, disse. De acordo com a professora, houve uma briga de alunas na escola e uma professora foi tentar resolver o problema e acabou apanhando das alunas. “A professora está de licença médica e uma turma está sem aula”, disse. Rose também lamentou que alguns computadores do laboratório de informática não funcionam por falta de manutenção.

Fonte: Portal da CMPA.