quinta-feira, 22 de maio de 2014

Falta de segurança e de professores afeta escolas na Zona Norte

Foto Francielle Caetano/CMPA
A Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece) da Câmara Municipal de Porto Alegre realizou na manhã desta quinta-feira (22/5) reunião com os conselhos escolares das escolas municipais da zona norte da Capital no Centro Humanístico Vida. As principais questões levadas pelos professores são a falta de segurança e de apoio da guarda municipal no entorno das escolas e deficiência de recursos humanos. Segundo eles, setores como laboratórios, bibliotecas e administração são fechados para que os responsáveis por eles sejam deslocados para salas de aula, para cobrir a falta de algum professor. 

Conforme a vereadora Sofia Cavedon (PT), vice-presidente da Comissão de Educação, um dos exemplos da carência de professores é na EMEF Victor Issler, que está com a sua Banda parada, pois não tem maestro. “O Maestro Arlindo, único a reger as bandas das escolas, está se aposentando.” Nesse sentido, Sofia irá propor ao governo municipal a realização de cursos de formação para regentes de música. 

Também a questão dos uniformes foi abordada no encontro com a comunidade escolar. Sofia lembra que dois projetos, um do Executivo e outro do Legislativo, tramitam na Câmara de Vereadores. Em um deles a parlamentar é a relatora, pela Comissão de Educação, e está ouvindo as direções escolares para dar seu parecer. Sofia também apresentará emenda propondo que o uniforme seja, no máximo, uma camiseta (de manga larga e manga curta) com a logo da escola.

Depoimentos 

Foto Francielle Caetano/CMPA
Para o vice-presidente da Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Vargas, Manuel Estivalet, o problema mais urgente é a questão da segurança no bairro. “A escola não faz parte diretamente do ciclo de violência, mas é afetada. Nós vemos o reflexo da violência nos alunos”, afirmou. Conforme Estivalet, a escola precisou diminuir o horário de aula no período da noite. “O problema não é chegar à escola, mas ir embora para casa, os alunos estão com medo. Nós já presenciamos encontros de gangues rivais e até assassinatos em frente à escola em horário de aula”, salientou.

“Falta professor, as turmas são atendidas conforme dá entra quem tem”, desabafou a professora de Ciências e presidente do Conselho Escolar, Andréia Bignett. Conforme a professora, as escolas estão com graves problemas no setor de recursos humanos. “Falta professor e falta ensino de qualidade”, criticou. De acordo com Andréia, outro problema que a escola está enfrentando é a redução de alunos no Projeto Cidade Escola, proposta que prevê atividades nas escolas em turno inverso, prevendo ampliação de estudos, artes, clubes escolares e oficinas.

“Houve uma redução na carga horária dos professores e o atendimento aos alunos no projeto ficou prejudicado. Fizemos um convênio para que os alunos fossem atendidos em outro local, no entanto, eles não conseguem chegar lá, o deslocamento fica complicado, são crianças pequenas que estariam soltas e tendo que pegar um ônibus”. De acordo com Andréia, o atendimento realizado no colégio, por meio do Cidade Escola, atendia cerca de 300 alunos. “Agora atendemos cerca de 100 alunos, é apenas um terço da quantidade que costumávamos beneficiar com o projeto”, afirmou.

Após as reuniões com todos os conselhos escolares da cidade a Comissão de Educação realizará uma audiência pública.

Com informações do Portal da CMPA.

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