sábado, 31 de maio de 2014

Futebol também é coisa de mulher

Seminário estadual debateu a ampliação da presença feminina no mais popular dos esportes 

Foto Moizés Vasconcellos/ DP  
A vereadora Sofia Cavedon, do PT da capital, participou na noite desta sexta-feira (30/5), do Seminário Estadual A Mulher no Futebol, promovido pelo vereador Ivan Duarte (PT), presidente da Comissão de Esportes da Câmara Municipal de Pelotas.

Sofia compôs a mesa que falou sobre a inserção da mulher no futebol, que destacou a prioridade da CBF para o masculino e a estrutura cultural e econômica machista que discrimina a participação feminina e não permite avançar.

Confira alguns trechos da manifestação de Sofia no Seminário.

- Historicamente, mulheres e homens têm sido educados de forma diferentes. A educação diferenciada dá bola e caminhãozinho para os meninos e boneca e fogãozinho para as meninas, exige formas diferentes de vestir, conta estórias em que os papéis dos personagens homens e mulheres são sempre muito diferentes. Educados assim, meninas e meninos adquirem características e atribuições correspondentes aquelas consideradas papéis femininos e masculinos.

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- Futebol sempre foi um jogo direcionado ao público masculino, por exigir uma grande força física. Mas atualmente, muitas as mulheres já estão quebrando este tabu de que futebol é só para homem, e hoje existe Campeonato Mundial de Futebol Feminino. O futebol praticado pelas mulheres no Brasil conquista espaço. Tivemos em 2013, a Copa Libertadores de Futebol Feminino, em Foz do Iguaçu. A Copa do Brasil de Futebol Feminino de 2014 foi a oitava edição da competição de futebol feminino organizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Temos uma Seleção Brasileira - no caso, a Feminina Sub-17 e temos ainda, uma mulher como técnica, Emily Lima.

- Ao mesmo tempo que contamos isto com um grande orgulho, ainda são muito fortes os preconceitos que cercam a prática desse esporte pelas mulheres. Não queremos dizer que não existe machismo e preconceito contra as mulheres em todas as modalidades esportivas. Mas no futebol pode se mostrar ainda mais difícil para as mulheres. Pode parecer paradoxal porque, revolvendo a crônica do futebol no Brasil e no mundo, se encontra o pé feminino ainda no século 19. Por que, então, esse véu tão duradouro sobre as mulheres e a bola?

- O futebol feminino tem todo o apoio do atual governo brasileiro, por meio da SPM - Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, e dos ministérios do Esporte e da Educação. Esses órgãos empenham-se na elaboração e fortalecimento de políticas públicas que, em conjunto com pulsões saudáveis e lúdicos da sociedade, permitam que o futebol seja de fato o grande campo simbólico no qual a alma brasileira se livre das travas patriarcais para vibrar numa imensa "ola" de cidadania plena.

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Michael Jackson 

Entre os participantes, destacou-se a experiente ex-jogadora de seleção. Michael Jackson, um dos nomes mais conhecidos entre as jogadoras da seleção brasileira de futebol feminino, e atualmente coordenadora do geral de futebol feminino do Ministério dos Esportes, participou da abertura do evento debatendo o tema com o treinador do time feminino do Esporte Clube Pelotas, Marcos Planela.

Segundo a jogadora, "não perdemos pelo talento, mas pela falta de incentivo e a desorganização. E, mesmo assim, temos mais de oito milhões de meninas jogando e milhares de times que nem são registrados."

Foto Divulgação Gabinete
No Seminário, Sofia Cavedon com Silvana Vilodre Goellner, professora e pesquisadora da UFRGS, e suas orientandas, que fazem uma profunda reflexão sobre a Copa e o futebol feminino, desacomodando os preconceitos e o senso comum conservador.

Com informações do Portal da Câmara Municipal de Pelotas.