sexta-feira, 18 de julho de 2014

Rodoviários de Porto Alegre podem retomar paralisação na segunda-feira

Foto Divulgação Gabinete
Sofia Cavedon foi chamada pela categoria para mediar o impasse. “Tentei negociar com direção da Trevo para reverter a demissão da liderança dos rodoviários. Tivemos que ir para o Ministério Público do Trabalho”, informa a parlamentar.

Cerca de 700 trabalhadores paralisaram na manhã desta sexta-feira, em protesto contra a demissão de colega Nícolas Pasinato 

Caso a demissão de um funcionário da Trevo não seja revista pela empresa, a paralisação dos rodoviários deve ser retomada, na Trevo e em outras empresas, na próxima segunda-feira (21). Na manhã desta sexta-feira (18), funcionários da empresa Trevo, que atende a zona sul de Porto Alegre, bloquearam a garagem da empresa por sete horas, encerrando a paralisação às 11h. Mais de 100 mil passageiros acabaram sendo afetados pela situação.

Os cerca de 700 trabalhadores que paralisaram na manhã de hoje protestaram contra a demissão, por justa causa, do colega Adailson de Lima Rodrigues. Adailson foi um dos integrantes da Comissão de Negociação da greve dos Rodoviários de Porto Alegre, ocorrida em fevereiro deste ano, além de ter participado das manifestações de junho do ano passado.

Foto Vinicius Roratto/Sul21
Para os rodoviários, a demissão é uma retaliação da empresa pelo envolvimento de Adailson durante a greve. “É uma retaliação clara e notória. Todos os membros que compunham a comissão da greve têm sofrido retaliações. As empresas não poupam esforços para dissipar o movimento”, afirma o líder do Comando de Greve da categoria, Alceu Weber. Segundo ele, há uma forte possibilidade de trabalhadores da empresa Tinga, que assim como a Trevo pertence ao Consórcio STS, trancar também a sua garagem na segunda. “A chance da Tinga parar é grande. No final da tarde, eles vão se reunir para discutir o assunto. E há também a possibilidade da Carris parar”, diz ele.

O líder do Comando de Greve da categoria, Alceu Weber, diz que há uma forte possibilidade de trabalhadores da empresa Tinga, que assim como a Trevo pertence ao Consórcio STS, parar na próxima segunda-feira.

Odelegado sindical titular da Carris, Luís Afonso Martins, cogita um apoio de toda a categoria na próxima semana.”Estamos discutindo com os trabalhadores esse apoio mútuo. Não só aqui (na Carris), mas também em outras garagens. É mais um caso de retaliação promovido pelos empresários”, afirma Luís Afonso. 

Foto Ramiro Furquim/Sul21
Conforme a Trevo, a demissão teria ocorrido em razão de uma suposta briga do funcionário com outro colega de trabalho, no mês de abril deste ano, em frente à empresa. Já os funcionários alegam que Adailson foi vítima de agressão, o que teria sido relatado em Boletim de Ocorrência na Brigada Militar. Como estava de licença-saúde, a demissão ocorreu somente agora.”Está no próprio BO que ele foi vítima de agressão. A Brigada presenciou o fato. Foi vítima antes e agora está sendo de novo pela ação da empresa”, afirma Alceu Weber.

Em depoimento em sua página do Facebook, Adailson considera a sua demissão um ataque do sindicato das empresas. “Não podemos recuar nenhum milímetro, porque os ataques da patronal só demonstram que estamos no caminho certo, tamanho o seu desespero, vide começar pela Trevo, uma das garagens que contou com participação de toda a base na greve”, disse. Ele ainda pede reforço de seus colegas na mobilização, que teve início na manhã desta sexta: “Rodoviários da Unibus, STS, Conorte e Carris: só a nossa unidade poderá derrotar o nosso único e poderoso inimigo, o capital. Que a mobilização de hoje seja um exemplo para os dias que virão”.

A Trevo divulgou nota sobre a demissão e disse que lamenta que 50% dos usuários do transporte coletivo da zona sul da Capital tenham sido prejudicados com a paralisação dos trabalhadores.Confira aqui nota na íntegra.

Fonte: Portal Sul21.