segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Entrega de uniformes para a rede municipal de educação da Capital está atrasada há seis meses

Foto Juliane Guez/PMPA
Sofia Cavedon, vereadora do PT da capital e vice-presidente da Comissão de Educação, tem se manifestado seguidamente na tribuna da Casa Legislativa pedindo informações e denunciando o caso dos uniformes.

Para discutir esse e outros assuntos problemáticos da Rede Municipal de Ensino, a Câmara de Porto Alegre promove na quarta-feira (27/8), às 19h, uma Audiência Pública sobre Recursos Humanos, Segurança nas Escolas e Valorização Profissional do/as professore/as e monitore/as do município. O encontro será no Plenário Otávio Rocha – Av. Loureiro da Silva, 255, Centro Histórico.

Depois dos atrasos de 2013, mais uma vez há problemas na entrega dos kits para alunos da rede municipal da Capital. 

Secretaria preferiu não comentar a demora de seis meses na entrega da compra de quase R$ 4 milhões.

Com o segundo semestre do ano letivo em andamento, os alunos da rede municipal de educação de Porto Alegre ainda não receberam os seus kits de uniforme. O assunto parece uma reprise do ano passado, quando os estudantes padeceram com diversos problemas para ganhar os trajes para a escola. O atraso dos uniformes foi assunto em diversas reportagens do Diário Gaúcho em 2013.

A espera atormenta a dona de casa Claudia Regina dos Santos Augusto. Mãe de Roberta, sete anos, aluna do segundo ano Escola de Ensino Fundamental Monte Cristo, do Bairro Vila Nova, ela vê nas peças prometidas pela Prefeitura uma forma de reforçar o guarda-roupa da filha e igualá-la aos outros alunos.

- Tem muita desigualdade na escola. Têm alunas que vão bem arrumadas e ela não tem muita roupa, às vezes o sapato está molhado. Ela se suja muito e não tenho espaço suficiente para estender e secar as roupas - explica Claudia, que mora com Roberta e mais dois filhos, de cinco e um ano, e o marido militar em um beco do Bairro Campo Novo.

A menina não tira o sorriso do rosto quando fala da escola. Se dá bem com os colegas e a professora, mas a mãe se preocupa com a falta de roupa no inverno frio e úmido. Na escola, a direção informou que ainda restam kits distribuídos no ano passado de tamanho 12, que ficam grandes demais em Roberta, que usa tamanho 8.

- Têm dias que a roupa não seca e ela me pede o uniforme - conta a mãe, que fica sempre sem respostas precisas ao questionar a escola.

Ninguém sabe de nada 

A situação se repete em pelo menos outras dez escolas contatadas pelo Diário Gaúcho na sexta-feira.

- A gente não tem muita previsão de entrega, o ideal seria no começo do ano, porque os alunos precisam e usam bastante - relata a diretora da Escola Municipal Especial Tristão Sucupira Vianna, da Restinga, Margarete Fonseca.

Algumas diretoras relatam que foram informadas que os kits chegariam no segundo semestre, mas sem data exata.

Secretaria da Educação se cala sobre problema 

Desde quinta-feira, o Diário Gaúcho tenta contato com a Secreta Municipal de Educação (Smed), por telefone e e-mail, via assessoria de imprensa, em busca de informações sobre o motivo da demora. A reportagem questionou por que a entrega dos kits não ocorreu no início do ano letivo, perguntou ainda se houve problema na contratação da empresa ou na própria confecção da roupa e qual o valor investido na compra. A secretaria se calou mediante a todas as perguntas.

Em junho, a Smed foi chamada pela Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude da Câmara de Vereadores para explicar a aquisição dos uniformes. Na oportunidade, a secretaria confirmou a compra de 45,3 mil kits pelo valor de R$ 3,9 milhões, o que corresponde a quase R$ 87 por conjunto. Cada um deles é composto por duas camisetas de mangas curtas e duas de mangas longas, calça, bermuda e jaqueta, ideais para usar no inverno e no verão. A entrega seria no segundo semestre.

Na próxima quarta-feira, este será um dos temas de uma audiência pública que ocorrerá no Legislativo que abordará temas relacionados a educação.

Fonte: Portal da Zero Hora.