quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Governo do Rio Grande do Sul lança campanha de ajuda humanitária à Faixa de Gaza

Foto Divulgação SC
Sofia Cavedon, junto com Ronaldo Zulke, participaram do lançamento da campanha realizada pelo governador Tarso Genro

O governador do estado do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), lançou nesta quarta-feira (20) a campanha de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, na Palestina, com o objetivo de arrecadar recursos financeiros para auxiliar a população que vive em área de conflito armado. O evento de lançamento contou com a presença do embaixador palestino no Brasil, Ibrahim Alzeben, do coordenador Geral de Ações Internacionais de Combate à Fome do Itamaraty, ministro Milton Rondó Filho, além de representantes da comunidade árabe-palestina no estado e de movimentos sociais ligados à causa Palestina.

Foto Caroline Bicocchi/Palácio Piratini
A campanha vem em um momento importante, quando a trégua entre Israel e o grupo Hamas foi novamente quebrada, resultando na morte de dezoito palestinos, incluindo uma mulher grávida. Segundo dados da Federação Palestina no Brasil (Fepal), o número total de mortos já chega a 2.030 desde o início das hostilidades, em 8 de julho.

Há alguns dias, o governador se reuniu com o embaixador Alzeben, em Brasília, para acertar os detalhes da campanha. Conforme explicado no evento, o dinheiro será arrecadado em uma conta no Banrisul e repassado para a Organização das Nações Unidas, através de suas instituições que trabalham em Gaza.

De acordo com a Fepal, essa comunidade é composta de cerca de 30 mil imigrantes, refugiados ou descendentes no Estado. Os palestinos no Rio Grande do Sul se encontram especialmente na fronteira, como Uruguaiana, Santana do Livramento, São Borja, Itaqui, Rosário do Sul, Bagé, Pelotas, Rio Grande, Passo Fundo, Santa Maria, além da capital e Região Metropolitana.

No evento, no Salão Negrinho Pastoreio do Palácio Piratini, o ministro Milton Rondó Filho destacou a importância da ajuda humanitária tendo em vista que há 1 milhão e 800 mil pessoas vivendo em Gaza, região que é atingida por ataques israelenses há mais de um mês. “São mais de 400 mil desalojados. É um imenso desastre que se soma ao desastre da Síria, que já deixou mais de 2 milhões de desalojados”, lembrou.
Foto Caroline Bicocchi/Palácio Piratini

O embaixador palestino no Brasil, Ibrahim Alzeben, classificou a campanha como um “gesto solidário do Rio Grande do Sul e seu governador, nosso amigo Tarso Genro”. Ele afirmou que o Brasil sempre mostra “gestos solidários, palavras e ações”. “Essa ação solidária vai salvar vidas. Num momento em que nosso vizinho Israel destrói, o Brasil quer ajudar a construir”, ponderou.

Ele defendeu a paz entre os povos israelense e palestino através do reconhecimento do Estado Palestino e do fim do uso de força. Ao governo do estado, Alzeben pediu que fosse dado também “apoio político” além da ajuda humanitária. “Queremos que Israel entenda logo que precisa reconhecer a Palestina como Estado e como povo. Queremos ver nossas crianças indo à escola, ver nossas vidas voltando ao normal”, disse, sendo aplaudido de pé pelo público que lotou o salão.

Foto Ramiro Furquim/Sul21
Os representantes da Palestina no Brasil entregaram ao governador Tarso Genro uma muda de oliveira, árvore símbolo de seu povo, e um quadro representando a paz. Os presentes foram dados por crianças de descendência palestinas nascidas em solo gaúcho. Em sua fala, Tarso contou que foi à região em missão oficial, antes do atual conflito, e recebeu pedido formal de que tivesse preocupação especial em não deixar possíveis embates “contaminar as relações entre as comunidades palestina e israelense que convivem aqui no estado”.

O lançamento da campanha de ajuda humanitária representa não apenas um ato de generosidade, mas também “é uma ação política”, afirmou Tarso. “É necessário que uma campanha como essa seja seguida de uma política de paz. O povo gaúcho tem tradição de luta, de respeito à autodeterminação de comunidades que lutam por seus direitos”, destacou.

O governador mencionou também que tem convicção que a campanha será bem-recebida também pela grande maioria da população judaica no RS, que “não aceita as ações de seu governo”. “Queremos convidar a todas as comunidades gaúchas que se associem a essa campanha. O povo do Rio Grande do Sul vai estar junto conosco nessa campanha humanitária”, afirmou.