segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Tarso afirma respeito ao resultado das urnas: “Nós agora somos oposição”

Foto Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21 
Tarso Genro: "Temos que respeitar e dar importância para a soberania popular. Foi um processo de muitos debates, a população acompanhou e fez sua opção. Cabe a nós respeitar"

Tarso Genro (PT), atual governador derrotado nas urnas neste domingo (26), pediu respeito ao resultado das urnas e afirmou estar feliz pela reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Aplaudido quando chegou para coletiva de imprensa, por volta das 20h30, Tarso disse que continuará governando até o fim de 2014 da mesma forma como tem feito até agora.

“Temos que respeitar e dar importância para a soberania popular. Foi um processo de muitos debates, a população acompanhou e fez sua opção. Cabe a nós respeitar”, disse o atual governador. Ele agradeceu aos companheiros de partido e dos partidos da Unidade Popular pelo Rio Grande, assim como aos militantes. “Quero sobretudo agradecer aos militantes do meu partido e da Unidade. Foram bravos, aguerridos, há muito tempo não víamos tanta gente mobilizada de maneira espontânea, carregando bandeiras, uma coisa emocionante”, colocou.

Ele ponderou que o PT, agora, é oposição ao governo eleito e cumprirá esse papel na Assembleia Legislativa. “Agora a tarefa que decorre dessa eleição é ser oposição. Nós somos oposição e nós trataremos esse governo com respeito, lá na Assembleia Legislativa. Entendemos que os projetos que forem positivos vamos apoiar se estiverem de acordo com nossa visão”, garantiu.

Tarso assegurou que a transição para o novo governo será “tranquila” e ponderou que a candidatura de Sartori foi “competente e aconteceu em determinada conjuntura”. Ele parabenizou o governador eleito por ter feito uma “campanha muito integrada numa visão de atitude eleitoral” e assegurou que a transição será de “altíssimo nível”.

Voltando a falar da imprensa, que foi objeto de um vídeo feito por ele durante a campanha, Tarso destacou que “estava em andamento um golpismo político midiático que poderia atrapalhar as eleições nacionais”. “Tentaram impedir a eleição de Dilma. Uma conspiração política estava em curso, anti-democrática, que tinha por trás grandes empresários do capital financeiro e que tinha nessa revista — que costumeiramente não age com boa fé com nossos governos — na ponta de lança contra Lula e Dilma”, afirmou, mas elogiou a forma como as coberturas foram feitas no Rio Grande do Sul, pedindo palmas para os jornalistas presentes.

Questionado pelos jornalistas a respeito de um possível sentimento anti-petista que poderia ter gerado sua derrota, Tarso ponderou que “existe uma grande movimentação política nacional de caráter anti-petista muito forte, isso se expressou muito bem na campanha de Aécio. Aqui no estado pode ter tido influência, mas na minha opinião isso não seria impedimento para a minha vitória”, lembrando que foi eleito em primeiro turno em 2010.

Ele não soube afirmar os motivos que levaram à rápida ascensão de José Ivo Sartori (PMDB), que foi eleito, e afirmou não ter imaginado que “a candidatura da senadora Ana Amélia Lemos (PP) fosse tão vulnerável”. Mas ponderou que a candidatura dela era mais “clara do ponto de vista ideológica, devido à tradição mais conservadora do PP”. Por fim, afirmou ter ficado sim “um pouco triste” de não ser reeleito. “Eu achava que fizemos muito e que num segundo governo poderia fazer muito mais”, lamentou. Ele seguiu da coletiva para o Largo da Epatur, onde falou para a militância que comemorava a vitória de Dilma.

Por Débora Fogliatto/Sul21