quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Dilma em coletiva: regulação econômica da mídia diz respeito a monopólios e oligopólios

Nesta quinta-feira (06), Dilma recebeu jornalistas para uma entrevista coletiva. Na pauta, ganharam destaque temas relacionados à economia – como a inflação e possíveis ministros – e a regulação econômica da mídia. É possível perceber também uma dificuldade de alguns repórteres em aceitar as respostas da presidenta, fazendo a mesma pergunta diversas vezes e, em certos momentos, colocando palavras na boca da entrevistada.

Sobre a regulação da mídia, Dilma deixou claro (ainda que os jornalistas sigam insistindo na ideia de censura) que a liberdade de imprensa é “uma pedra fundadora da democracia” e que isso é completamente diferente de regulação econômica. “Regulação econômica é outro assunto. Regulação econômica diz respeito a processos de monopólio ou oligopólio, que pode ocorrer em qualquer setor econômico onde se visa o lucro e não a benemerência”, afirmou. “Por que os setores de energia, de petróleo e de transportes têm regulações, mas a mídia não pode ter?”, Dilma questionou. Ela ainda lembrou que processos semelhantes ocorrem nos Estados Unidos e na Inglaterra. A presidenta explicou tudo isso, mas os jornalistas insistiram: “A senhora não mistura essas regras com censura?”. “Não. Não só não misturo, como repudio”, respondeu. A luta pelo Marco Civil, lembrou, passou por resistência semelhante, diziam que era “restritivo, encapsulador”, mas depois se mostrou a importância da neutralidade.

Questionada (mais de uma vez) sobre um contato e um suposto convite a Luiz Carlos Trabuco Capi, presidente do Bradesco, para compor o governo, Dilma ressaltou que apenas recebeu “um telefonema muito gentil”, da mesma forma que recebeu de Abílio Diniz, por exemplo. Por duas vezes Dilma frisou que sua equipe econômica será montada nas semanas seguintes à sua volta da reunião do G20.

“Eu não tenho pretensão de fazer uma prospecção para o futuro. Posso dizer o que eu espero. Qual é a minha esperança: o Brasil terá uma recuperação. Enquanto isso, eu espero que o mundo também tenha, porque a nossa recuperação será mais potencializada pela recuperação internacional”, afirmou. Dilma destacou seu compromisso em manter o nível de investimento, renda e emprego. É objetivo do seu governo reduzir a inflação, mas sem desempregar, completou.

“Eu não estou falando que vou fazer o arrocho que eles [a oposição] falaram. Pelo contrário, estou dizendo que vou manter o emprego e a renda. Não falei que vou reduzir meta de inflação [mas, sim, a inflação propriamente dita], que eles cantaram em prosa e verso. Tampouco concordo com choque de gestão”, disse Dilma.

Ainda estiveram na pauta o financiamento federal a São Paulo no que tange à questão da seca – e que Dilma disse não haver problema em acontecer – e o tal bolivarianismo que parte da oposição tem apontado acontecer. “Essa história de bolivarianismo está eivada de segmentos, de camadas de preconceito contra o meu governo. [...] Geralmente o uso ideológico de certas categorias distorce toda a compreensão da realidade. […] O mais estarrecedor é que eu cheguei à conclusão que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, integrado pelo PIB brasileiro, é bolivariano. Porque acusaram o governo de estar fazendo com a questão da participação social bolivarianismo”.

De tudo que foi abordado na coletiva, talvez o que menos a imprensa repercutiu tenha sido a declaração de Dilma sobre o IPEA. A mídia espalhou que haveria uma ocultação de dados pré-eleição, mas a resposta da presidenta ainda não repercutiu. “Quero aqui protestar contra o fato de dizerem que nós ocultamos dados. O IPEA não produziu nenhum estudo. O que o IPEA fez? Pegou o que nós divulgamos em setembro da PNAD, os microdados todos que todo mundo tem acesso e fez séries, do jeito deles, com os métodos deles”, declarou.

Confira a íntegra publicada pelo O Globo.

Fonte: Portal Muda Mais.