terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Rio Grande do Sul acaba com o acordo com a israelense Elbit Systems

O movimento global de Boicote, Desinvestimentos e Sanções (BDS) contra Israel, considerou o fato uma vitória histórica na América do Sul.

Porto Alegre - O governo de Rio Grande do Sul divulgou nesta terça-feira (2) uma carta aberta declarando como “sem objeto” o protocolo assinado com a subsidiária da israelense Elbit Systems, a AEL Sistemas, localizada em Porto Alegre. O protocolo vinha sendo alvo de críticas por parte de movimentos e autoridades palestinas e da sociedade civil brasileira em função da participação da Elbit na construção do muro nos territórios palestinos e do uso e desenvolvimento de armas utilizadas pelas forças armadas de Israel. A carta foi entregue pelo governador Tarso Genro ao embaixador da Palestina Ibraim Alzeben.

Em abril de 2013, o governador gaúcho assinou um memorando de entendimento com a AEL Sistemas, que permitiria à empresa acessar dinheiro público e tecnologia produzida pelas universidades gaúchas. Segundo Maren Mantovani, coordenadora de Relações Internacionais da campanha Stop the Wall, esse projeto, que visava à construção em território brasileiro de um parque aeroespacial militar ancorado na Elbit Systems, teria transformado uma empresa de capital israelense pela primeira vez em empresa líder num projeto militar brasileiro que visava a construção de um microssatélite.

Na carta divulgada nesta terça, o governador Tarso Genro afirma que desde há meses, quando problemas financeiros se somaram aos protestos contra o projeto, o projeto foi, de fato, congelado: "não houve mais nenhuma ação objetiva relacionada com aquele acordo, e o governo de Rio Grande do Sul não realizou, e não realizará sob o nosso governo, nenhuma outra ação relacionada a esta parceria, o que nos permite declarar o referido protocolo como sem objeto."
O movimento global de Boicote, Desinvestimentos e Sanções (BDS) contra Israel, considerou o fato uma vitória histórica na América do Sul. “Essa vitória dos direitos humanos e rumo ao embargo militar contra Israel é um sinal importante de esperança para todos e todas. Agradecemos a todos os movimentos e a cada ativista que trabalhou para que pudéssemos celebrar esse momento”, disse Jamal Juma’, coordenador da Campanha palestina contra o Muro (Stop the Wall).

Fonte: Revista Carta Maior