quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Terceirizadas da Rede Municipal de Ensino protestam na Prefeitura de Porto Alegre

Portas trancadas, incoerência do Prefeito e mais um compromisso da Smed 

Foto Marta Resing
Cerca de 100 trabalhadoras terceirizadas da Cootrario, que atuam na Rede Municipal de Ensino, protestaram na manhã desta quarta-feira (10/12) na Prefeitura de Porto Alegre, pedindo “socorro” ao Prefeito para que o mínimo dos seus direitos básicos seja respeitado.

As trabalhadoras mais uma vez recorreram a vereadora Sofia Cavedon (PT/PoA), que desde 2007 apoia as terceirizadas na sua luta pelo cumprimento dos seus direitos trabalhistas, como o pagamento em dia dos vales transporte e alimentação; pagamento e elaboração do calendário de férias (há 3 anos que não recebem) e pagamento do 13º salário.

Portas trancadas 

Foto Marta Resing
Ao chegarem a Prefeitura estava ocorrendo à posse da nova diretoria do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (Comdim) e ao tentar entrar para prestigiar a cerimônia e, após, pedir o apoio à sua luta da nova presidenta do Comdim, jornalista Vera Daisy Barcellos, as terceirizadas, e Sofia Cavedon, foram impedidas de entrarem no ato, pois a porta do Salão Nobre do Paço Municipal foi trancada.

Indignada com a situação, a vereadora Sofia repudia o ato de discriminação do Senhor Prefeito Municipal, que em seu discurso em plena posse do Conselho da Mulher, demonstrou toda a incoerência de sua gestão, pois trata as terceirizadas, na sua grande maioria mulheres, com desprezo e indiferença. Em sua manifestação Fortunati salientou, que “Porto Alegre, ao longo de sua história, tem tido muitas conquistas quando se fala em políticas públicas para as mulheres”. Sofia questiona: onde estão as políticas públicas quando se trata das terceirizadas que atuam na Secretaria Municipal de Educação?

Atendimento paralisado 

Foto Marta Resing
O atendimento da educação infantil nas escolas municipais poderá continuar paralisado até sexta-feira, quando uma boa parte das trabalhadoras, que nem sequer conseguiram entrar no prédio da Prefeitura, pois foram impedidas, tomaram a posição de não retornar ao trabalho enquanto a Prefeitura não resolver a caótica situação.

O grupo estava inconformado com a sequência de descrumprimento das questões trabalhistas por parte da Cooperativa e com a falta de comprometimento da Smed e do governo municipal, que são os responsáveis pela contratação da Cootrario.

Muitos foram os relatos de que a sede da Cooperativa, localizada na Av. Polônia, nº 550 (esquina com a São Paulo) permanece fechada desde o início da semana. “Tememos o desaparecimento da empresa”, ressaltaram. Os fones da Cootrario também não são atendidos – 3019.1945 e 3019.1236. 

Compromisso da Smed 

Foto Marta Resing
Com a articulação da vereadora Sofia, a Smed encaminhou representantes para o Paço Municipal a fim de negociarem com as trabalhadoras. O coordenador jurídico, Conrado Lopes da Silva, afirmou que a Secretaria não repassará os valores do próximo repasse a Cootrario enquanto a mesma não pagar as funcionárias todos os atrasos denunciados. Segundo ele esse compromisso está documentado e não é só promessa. Informou também que a Cooperativa tem até sexta-feira (12) para apresentar o comprovante de quitação dos débitos para receber o próximo repasse.

Comissão 

Proposto por Sofia Cavedon a realização de uma plenária na sede da Smed, o governo propôs então a formação de uma Comissão das Terceirizadas que se reunirá às 10h na quinta-feira (18/12), com a direção da Smed e que terão na pauta as férias, pagamento e calendário.

A história é longa 

Desde 2007 que as trabalhadoras vêm lutando para ter dignidade no serviço, quando procuraram a vereadora Sofia, que vem denunciando as más condições de trabalho impingidas aos trabalhadores da então Cooperativa Meta, que atendia a Rede, e desde 2010, quando assumiu a Cooperativa Riograndense (Cootrario).

Veja aqui a trajetória de luta das Terceirizadas e ex-Cooperativadas