quinta-feira, 26 de março de 2015

Fórum Social Mundial iniciou na Tunísia

Foto Carlos Latuff
Fórum Social Mundial começa com desafio de aglutinar agenda política contra o capitalismo e terrorismo

Da Redação Sul21

Marcha tradicional de abertura do FSM, ocorreu no dia 24 de março, a Tunísia.

Pela segunda vez a Tunísia está recebendo o Fórum Social Mundial. Até o dia 28 de março a cidade de Túnis reúne 60 mil pessoas, entre entidades, movimentos sociais e ativistas anticapitalistas de diferentes democracias. São 118 países inscritos para participar das 1,1 mil atividades que tiveram início nesta terça-feira (24).

A capital que começou a Primavera Árabe deve aproveitar esta edição para consolidar pautas comuns de fundo político.  Conforme um dos representantes brasileiros no Conselho Internacional do FSM, Mauri Cruz, o debate central será encontrar saídas para a crise civilizatória que a humanidade atravessa. “Desde a queda do Muro de Berlim onde tínhamos duas opções: o modelo capitalista ou o socialista, a raça humana seguiu o modelo da acumulação do capital. Este modelo já se provou insustentável do ponto de vista social e ambiental.  Então pra onde vamos pós-utopia socialista?”, indaga.

Segundo ele, as respostas discutidas desde 2001, quando surgiu o FSM,  precisam ser melhor sistematizadas dentro da metodologia do evento. “Não tem sentido nós reunirmos lideranças de todo o mundo e ficarmos só falando mal do capitalismo como fazíamos no começo. O mundo mudou”, crítica.

Foto Divulgação FSM
Com 14 anos, o evento altermundista, criado para contrapor o Fórum Econômico de Davos, deverá considerar o período de governos da esquerda na América Latina, a eleição do projeto antiausteridade do Syriza na Grécia e o surgimento de novos movimentos para contrapor a hegemonia capitalista, como Occupy Wall Street e outros.

O FSM ainda é o único forum internacionalista e anticapitalista que reúne partidos de esquerda e movimentos sociais. Porque, os partidos de esquerda quando assumem governos viram gestores do capitalismo e rompem com os movimentos sociais por não seguirem as pautas de esquerda em nome de se manter no poder”, avalia Mauri Cruz.

Comitiva gaúcha tenta trazer FSM de volta a Porto Alegre 

Túnis é a segunda capital a receber mais de uma vez a edição do FSM. Porto Alegre foi a primeira e pode voltar a receber o evento em 2016. Uma comitiva de 25 representantes de movimentos sociais e 15 de organizações políticas do Rio Grande do Sul está na Tunísia com objetivo de avançar em um acordo para trazer o FSM a cidade de origem. O ex-governador Olívio Dutra, chefe do estado quando surgiu o FSM, foi convidado a integrar a comitiva gaúcha na Tunísia e auxiliar nas articulações que podem trazer o FSM a Porto Alegre.

Foto Carlos Latuff
Por acordo, em anos pares a capital gaúcha já promove versões temáticas do Fórum. Outra opção para a edição de 2016 seria o Canadá. No entanto,  por falta de consenso do grupo que defende o FSM na América do Norte,  as chances de Porto Alegre são grandes”, explica Mauri.

O Fórum Social Mundial 2015 tem como lema “Dignidade, Direitos e Liberdade”. Sob o slogan Povos do Mundo Unidos contra o Terrorismo, a tradicional marcha de abertura do Fórum Social Mundial (FSM), no dia 24, levou uma mensagem de solidariedade às famílias das vítimas do ataque ao Museu do Bardo, que matou 22 pessoas no dia 18 de março, e de repúdio ao terrorismo. O itinerário da marcha foi alterado pela organização do evento e terminará em frente ao museu, com um ato contra o extremismo. O atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico.

Fonte: Portal Sul21