quinta-feira, 12 de março de 2015

Quinta Temática destaca projeto de restauração do Viaduto Otávio Rocha

Foto Marta Resing
Por proposição da vereadora Sofia Cavedon (PT), a Câmara Municipal de Porto Alegre destinou o período de Comunicações Temática, durante a sessão ordinária desta quinta-feira (12/3), para debater o projeto de restauração do Viaduto Otávio Rocha, localizado na Avenida Borges de Medeiros.

"Restauro completo do viaduto Otávio Rocha já tem projeto! Na Câmara estamos cobrando o encaminhamento da obra e sua sustentabilidade! Não é um sonho?!", diz Sofia.

Foto Cassiana Martins/CMPA
A parlamentar também cobrou do governo municipal um projeto de revitalização que esteja à altura do Viaduto Otávio Rocha, um dos cartões-postais de Porto Alegre. Ela argumentou que a proposta em questão não é alvo de questionamento dos movimentos sociais, diferente da revitalização do Cais Mauá, por exemplo, e que a intervenção deve ser continuada, com um sentido de política pública. "O restauro e a pintura periódica, por exemplo, devem estar previstos", defendeu. Sofia também indagou a respeito do financiamento da obra. "Fizemos um projeto de lei que criava um fundo de recursos, mas o governo municipal rejeitou."

O presidente da Associação Representativa e Cultural dos Comerciantes do Viaduto Otávio Rocha (Arccov), Adacir Flores, afirmou que o Viaduto representa a memória viva da cultura imaterial de Porto Alegre. "Queremos, acima de tudo, que o poder público enxergue o Viaduto Otávio Rocha como o mais importante monumento da cidade e que ele precisa de reformas, em respeito aos permissionários que estão lá trabalhando", disse.

Foto Vicente Carcuchinski/CMPA 
Flores destacou ainda que a humanização do Viaduto deve ser um dos preceitos mais importantes no seu projeto de restauração. "Devemos focar no processo de retomada daquele espaço por pessoas e eventos culturais, e não apenas usá-lo como via de acesso ao Centro", ressaltou. O presidente lembrou ainda que é preciso retomar o Fundo Pró-Viaduto, no intuito de que se mantenha permanentemente o Viaduto Otávio Rocha.

Adacir Flores concluiu sua fala afirmando que o resultado do trabalho foi "como de um polvo com vários tentáculos". “A Câmara sempre nos dá espaço; por isso, um dos encaminhamentos que gostaria de solicitar é uma audiência na Comissão de Educação e Cultura (Cece) para discutir os valores cobrados pelo Executivo pela permissão de uso das lojas do viaduto”, afirmou, ao ressaltar que a associação já tem protocolado documento junto à Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), para que os valores cobrados sejam revistos. “Queremos pagar, mas pagar o valor justo e resolver esse assunto antes da restauração do viaduto, propondo uma zeladoria tripartite por meio da união entre comerciantes, governo e  moradores do entorno. Nós fazemos parte desse monumento e temos que cuidar e zelar por ele”, finalizou.

A vereadora Sofia, que é integrante da Cece, ficou responsável por tratar do agendamento da audiência solicitada por Flores.

Segundo o secretário municipal de Obras e Viação, Mauro Zacher, o projeto apresentado é extremamente importante para a prefeitura, que não mediu esforços para resgatar a história da Capital por meio do Viaduto. "Este projeto surge de uma demanda do Plano Diretor de Porto Alegre e está mobilizando 16 secretarias, para que a reforma seja bem-sucedida", disse.

O projeto

Foto Sofia Cavedon
Os arquitetos Alan Cristian Furlan e Cristiane Gross destacaram os principais pontos que irão fazer parte do projeto de restauração do Viaduto Otávio Rocha e afirmaram que o intuito da proposta é reaver a originalidade do empreendimento. Para Alan Furlan, analisar a parte histórica do Viaduto foi um processo importante na construção do projeto. "Fizemos uma pesquisa histórica sobre o Viaduto para termos o pleno conhecimento da obra. Além disso, fizemos o levantamento da realidade estrutural do Viaduto, para depois analisar as possibilidades de aperfeiçoamento", disse.

O arquiteto afirmou que o projeto visa uma estrutura que dure no mínimo 30 anos, caracterizando-o como uma proposta de longo prazo. Segundo Furlan, o viaduto é uma obra única e singularmente tecnológica, tendo sido, durante anos, o lugar mais iluminado de Porto Alegre. "Queremos retomar esta ideia de iluminação e projetamos um Viaduto com diversas lâmpadas de Led, tendo a prefeitura o controle de mudar as suas cores para determinados eventos culturais", afirmou.

Foto Vicente Carcuchinski/CMPA 
Um dos principais problemas destacados pelos arquitetos foram as infiltrações do Viaduto, que já foram mapeadas e serão consertadas ao longo das obras. "Avaliamos a história de reformas do Viaduto, para não termos tantas surpresas na hora da obra, e trabalhamos durante quatro meses árduos analisando em quais locais haviam infiltrações e outros problemas hídricos", disse. Furlan afirmou também que o piso do Viaduto será totalmente restaurado, mantendo a arquitetura original, mas se adaptando aos cidadãos deficientes visuais e cadeirantes. "Sabemos que estamos restaurando o Viaduto também no imaginário das pessoas que por ali passam e queremos trazê-lo para o mais próximo do que ele era quando foi concebido, o mais próximo do original, para não perdermos a sua imagem cultural".

O arquiteto falou ainda sobre o sistema antivandalismo e antifurto que será colocado no Viaduto para que os componentes externos de iluminação mantenham-se intactos. Alan Furlan encerrou sua fala afirmando que é preciso que se crie uma gestão ativa e atuante que abrace durante o ano inteiro o uso do Viaduto como um projeto de cultura.

A arquiteta Cristiane Gross destacou os estudos avançados que foram feitos sobre os problemas estruturais mais antigos do Viaduto. “O objetivo é que esta reforma não seja superficial, mas que resolva todos os problemas técnicos do viaduto.

Fonte: Portal da CMPA.