sexta-feira, 6 de março de 2015

Vivemos um momento que exige perspectiva histórica, defende Miguel Rossetto

Por Marco Weissheimer/Sul21

O Secretário Geral da Presidência participou nesta sexta-feira (6), em Porto Alegre, de um encontro com lideranças do PT, do movimento sindical e de movimentos sociais.

Foto Denis Soares/PTSul
“Estamos vivendo um momento de grande intensidade política onde é fundamental ter perspectiva histórica e sentido histórico. O cenário internacional é de retração econômica e instabilidade política, com perigosas situações de violência em regiões como Oriente Médio e Ucrânia. A China reduziu sua capacidade de crescimento e as economias da Europa e do Japão seguem patinando. Na América Latina, Argentina e Venezuela também enfrentam graves problemas. A Venezuela sofreu uma grave queda no orçamento por conta da queda do preço do petróleo. Inserido neste contexto, o Brasil também enfrenta um quadro de restrições que exigirá ajustes para que o país possa retomar um ciclo de crescimento”. A avaliação é do ministro Miguel Rossetto, da Secretaria Geral da Presidência da República, que participou nesta sexta-feira (6), em Porto Alegre, de um encontro com lideranças do PT, do movimento sindical e de movimentos sociais.

Nas últimas semanas, Rossetto vem participando de várias conversas com representantes de organizações da sociedade para debater temas como as medidas de ajuste na economia e a Reforma Política. Na quinta-feira (5), por exemplo, participou do lançamento do 12º Congresso da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Brasília. A menção à necessidade de perspectiva história para se entender o atual momento político e econômico do país vem acompanhada de um sentido de limites que a atual conjuntura estaria impondo ao segundo governo Dilma, em seu início. Apesar desses limites, o Secretário Geral da Presidência defendeu dois critérios fundamentais para se avaliar o resultado das políticas do governo: nível de emprego e nível de renda.

“O Brasil chegou ao final de 2014 com a menor taxa de desemprego da história. O país não tem uma crise fiscal e muito menos uma crise de desemprego. Não estamos na mesma situação da Grécia, nem na da Espanha, que tem cerca de 60% de sua juventude em situação de desemprego”, assinala o ministro que enxerga uma tentativa de se construir uma crise na economia que não corresponde à realidade.

Por outro lado, Rossetto não nega a existência de problemas que estariam exigindo medidas de ajuste. “Nós enfrentamos, por exemplo, um quadro de quatro anos de seca, nas regiões Nordeste e Sudeste, que exigiram pesados investimentos em programas como o Bolsa Estiagem e o Garantia Safra. Até 2014, o governo aumentou os gastos e diminuiu receitas para que o cenário de restrições na economia tivesse menos impacto. Essas medidas foram corretas mas atingiram um limite”.

Para ele, as medidas anunciadas até aqui não representam nenhuma quebra de princípio por parte do governo em relação aos seus compromissos programáticos. “Neste momento de aperto fiscal, o governo procura identificar onde há excessos, desequilíbrios e descontroles. E ainda há novas realidades que devem ser levadas em conta. Cerca de 30 milhões de pessoas entraram no sistema previdenciário brasileiro nos últimos dez anos. O povo brasileiro está vivendo mais. Além disso, o governo estuda medidas como a tributação federal das heranças no Brasil. Na Inglaterra, por exemplo, há uma tributação federal de 40% das heranças a partir de um valor correspondente a R$ 2 milhões de reais”.

Questionado por aliados históricos como a CUT sobre o conteúdo e o método de apresentação dessas medidas, o ministro reafirma a disposição do governo em dialogar. “As medidas estão sendo negociadas. Não se trata apenas de medidas de curto prazo no contexto de um ajuste fiscal. Estamos falando também de medidas de longo prazo para assegurar nossa capacidade de investimento. Estamos vivendo um período de resistência que será fundamental para retomarmos a iniciativa política no segundo semestre e recuperar a capacidade da economia já em 2015 para começarmos a construir um novo ciclo de crescimento a partir de 2016”, diz ainda Rossetto. E reafirma: “Vamos dialogar sobre todas as medidas. Nossa estratégia de política econômica é a prioridade na geração de emprego e renda, com investimentos sociais e infraestrutura”.

Fonte: Portal Sul21.