quarta-feira, 29 de abril de 2015

Carris, uma gestão temerária?

Foto Marta Resing
Pedido de informações sobre o exercício financeiro e patrimonial, no período de 2011 a 2014, da empresa pública de transportes da capital, Companhia Carris Porto-Alegrense, foi encaminhado nesta quarta-feira (29/4) pela vereadora Sofia Cavedon (PT) ao Executivo Municipal.

A parlamentar também está solicitando ao Ministério Público de Contas (MPC) cópia do processo da Inspeção Especial realizada pelo Ministério, que trata das irregularidades em atos de gestão, denunciadas por Sofia e uma Comissão dos Trabalhadores da Carris em 2012, desencadeando o procedimento no MPC.

Foto Marta Resing
A parlamentar lembra foram entregues inúmeras denúncias de abandono da companhia de transporte público da capital. Entre elas estão: não acabamento de dois prédios que já em 2012 estavam abandonados, sendo um prédio administrativo e a creche para filhos de funcionários; colocação de carros com a placa “recolhe” passando nas paradas sem pegar passageiros, para recuperar tempo para registro nas antenas de monitoramento da EPTC; e o permanente descumprimento das tabelas.

Na tribuna da sessão plenária desta tarde, Sofia Cavedon comentou a inspeção realizada pelo MPC nas contas da Carris entre 2011 e 2013 que resultou em relatório do Tribunal de Contas.

Conforme a vereadora, o documento apontou uma gestão financeira deficiente, controle patrimonial falho e descumprimento da legislação trabalhista, entre outros. "Os dois ex-presidentes da Carris, ao longo desses anos, foram multados, mas com valores que considero baixos. Temos que esclarecer o porquê de este descontrole da Carris não ter sido superado até hoje", afirmou.

Sofia apresentou ao plenário as considerações apontadas no Parecer da Inspeção Especial, consideradas pelo Ministério Público de Contas como “grave deficiência de gestão e controle interno do órgão”:

1 – Gestão financeira deficiente. Prejuízos decorrentes da elevação dos custos dos serviços;
2 – Controle patrimonial deficiente;
3 – Planilha contendo custos incompatíveis com a receita tarifária;
4 – Gastos efetivos com pessoal excedem em muito a remuneração fixada na planilha tarifária;
5 – Gestão deficiente dos recursos financeiros;
6 – Irregularidades no planejamento e execução das obras;
7 – Resultados contábil e financeiro negativos, decorrentes do endividamento e da inobservância dos parâmetros da planilha tarifária referentes aos gastos com pessoal;
8.1 – Não observância da legislação trabalhista referente ao repouso semanal remunerado;
8.2 – Pagamento de horas extras sem a devida autorização e o efetivo controle. Sugestão de débito de R$ 12.101,21.

Foto Marta Resing
Os problemas denunciados por Sofia e funcionários da empresa: 

prédio administrativo levantado sem acabamento e com obras paralisadas há dois anos;
fundações e primeira laje de uma creche para filhos de funcionários, também abandonada, com risco de queda, com nítido desperdício de recursos públicos;
 problemas na estrutura física da sede como a rachadura na marquise do portão central, apontada para os funcionários como perigosa;
 indicativo de permanente falta de peças de reposição para conserto dos ônibus, sendo que ontem, 02 de dezembro, eram 11 carros parados por falta de peças para reposição; Exemplo é carro número 0781, acessível e com ar condicionado e do ano de 2010, que está servindo de fornecedor de peças de reposição;
 informação que há permanente colocação de carros com a placa “recolhe” que passa em várias paradas sem pegar passageiros, para recuperar tempo para registro nas antenas de monitoramento da EPTC;
 permanente descumprimento das tabelas de horário por não haver carro para motoristas e cobradores saírem. Ex: carro 158, Rio Branco que nunca sai no horário, linha 525, sempre leva dois horários junto;
 problemas de conforto e manutenção das condições dos carros. Exemplo carro 674, da linha T2: ar condicionado estragado há 4 meses e janelas não abrem, ônibus 257, Campus Ipiranga além de não ter janela e ar não funcionando, chove dentro;
 a empresa aluga quatro contêineres, para uso como arquivo, com custo alto enquanto abandona construção do novo prédio;
 funcionários registram que houve a venda da folha de pagamento em 2007 e agora novamente e os altos recursos seriam investidos nos prédios mas estes estão parados;
 a reposição dos uniformes e fardamentos é descontínua e inadequada, expondo os mesmos ao uso de peças avariadas em serviço;
 o aumento progressivo dos CCs é apontado também pelos funcionários como gastos excessivos sem condições de serem suportados e vários sem qualificação técnica para ai estar e daí alguns problemas de gestão;
 convênios que angariam recursos como os anúncios nos ônibus - “busdoor” -, as multas como da Volkswagen, não tem controle de aplicação de conhecimento dos funcionários, além de mesadas passadas do orçamento da prefeitura.

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