sexta-feira, 24 de abril de 2015

Com corte de árvores, obras surpreendem moradores em praça de Porto Alegre

Matéria publicada no Portal ClicRBS

Foto Omar Freitas/Agência RBS
Comunidade lamenta impacto ecológico no bairro Santana e desconhece projeto que vai ampliar espaço destinado ao público na Praça João Paulo I

Quando os tapumes azuis passaram a impedir o acesso ao verde da Praça João Paulo I, em Porto Alegre, os moradores do bairro Santana não entenderam nada. Quando o barulho das espátulas de trabalhadores substituiu o cantar dos pássaros, tampouco eles foram informados sobre o que estava acontecendo ali. Hoje, mais de um mês depois do início das obras no local, pouco mudou: apenas uma placa indicando o projeto de reurbanização em vigor serve como resposta a quem ainda não obteve esclarecimentos da prefeitura.

O que muda com a nova lei para o corte de árvores em Porto Alegre

Pessoas que há décadas habitam os arredores da praça foram pegas de surpresa quando começou a intervenção, no final de março. Antes ponto de encontro da comunidade e lugar de diversão das crianças, a praça acabou virando reduto de moradores de rua nos últimos anos — uma das justificativas para sua revitalização. Incomodados, os moradores reclamam, porém, que não foram consultados, e lamentam o corte de árvores que embelezavam a região.

— Ninguém é contra a revitalização, mas queremos saber o que está sendo feito, conferir o projeto e, principalmente, entender se vai haver replantio dessas árvores derrubadas — explica Margaret Dorneles, proprietária de um café ao lado da praça.

Foto Omar Freitas/Agência RBS
As moradoras Margaret Dorneles, Ligia Carretta, Gabriela Giacomoni e Lorena Ruaro estão descontentes com o destino da praça

Prefeitura afirma que derrubada foi necessária 

Responsável pela realização das obras, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) de Porto Alegre não entrou em contato com os moradores antes de dar início à intervenção, mas explica que o objetivo é tornar a Praça João Paulo I um local com melhores condições de acolher a população. Para o Supervisor de Praças, Parques e Jardins da secretaria, Léo Antônio Bulling, o corte de duas árvores — um bougainville e uma acácia amarela, conforme os moradores — se justifica porque elas estavam invadindo o pergolado e comprometendo a estrutura do local.

— Ali serão feitos passeios, colocados bancos e lixeiras. Faremos uma revitalização de toda a praça. Nosso objetivo também é dar mais insolação ao espaço, que estava muito fechado — garante Bulling.

Os moradores relatam que as remoções de árvores — que já haviam sido feitas em 2012, para evitar danos ao mobiliário urbano — trouxe problemas de desequilíbrio ecológico, como infestação de insetos e morte de pássaros. Eles reclamam que a área verde perdeu o colorido e a relação com a natureza que antes atraíam pessoas ao local. A Smam não garante o replantio de árvores.

— Antes, ouvíamos o barulho das aves, a revoada de caturritas. Hoje, só o que nos resta da praça em que me criei brincando são esses ruídos. Era uma cobertura verde, agora parece construção civil — lamenta Gabriela Giacomoni, moradora do bairro há 22 anos.

MP pede esclarecimentos 

Insatisfeitos com a falta de informações sobre o projeto e o fato de não terem sido consultados pela prefeitura, um grupo de moradores recorreu a políticos e ao Ministério Público (MP) para pedir esclarecimentos. Uma notificação foi protocolada na semana passada, quando o Executivo municipal passou a ter 20 dias para elucidar o motivo das obras. Agora, a Smam deverá responder à Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre.

Foto Divulgação Sofia Cavedon
— O objetivo da comunidade é saber o que vai ser feito, ser ouvida. Em nenhum momento a Smam entrou em contato com a comunidade — declara a vereadora Sofia Cavedon (PT), que desde o início do mês acompanha as reivindicações dos moradores.

O pedido feito ao MP foi acompanhado de um abaixo-assinado, que ainda circula pelo bairro. Os moradores relatam que somente depois de pedirem esclarecimentos à prefeitura foi colocada uma placa informando a responsabilidade pela execução do projeto, mas ainda assim não foi apresentada qualquer planta ou informado quais serviços estão sendo realizados.

Fonte: Portal ClicRBS.

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