quinta-feira, 9 de abril de 2015

Para oposição, Sartori promove ambiente depressivo no RS


Por Marco Weissheimer/Sul21

Foto Marta Resing
O governo Sartori está mergulhando o Rio Grande do Sul em um ambiente depressivo, com um perigoso discurso obscurantista e terrorista que apresenta um cenário de terra arrasada para justificar, em um segundo momento, a adoção de medidas de desmonte do Estado e de arrocho salarial sobre os servidores. Esse é o resumo do balanço de 100 dias do governo de José Ivo Sartori (PMDB), apresentado na manhã desta quinta-feira (9) pelas bancadas do PT e do PCdoB, durante um café da manhã com jornalistas. “Não é novidade para ninguém que o Rio Grande do Sul enfrenta há cerca de 40 anos problemas financeiros estruturais. Esses problemas repousam em dois pontos fundamentais: o déficit previdenciário, atualmente em torno de R$ 6,5 bilhões, e a dívida com a União, que consome hoje em torno de R$ 3,2 bilhões/ano. O governo Tarso Genro adotou uma estratégia para enfrentar esses dois problemas, criando a previdência dos novos servidores e negociando a reestruturação da dívida com a União. O governo Sartori, até aqui, só teve ações tímidas que não respondem às exigências do Estado”, avaliou o deputado Luiz Fernando Mainardi, líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa.

O que mais causa preocupação, acrescentou Mainardi, é o discurso derrotista do atual governo. “O governador Tarso Genro, quando iniciou o seu governo, nos proibiu de ficar falando dos problemas do governo anterior e determinou que tivéssemos um discurso positivo que apontasse soluções para o presente e o futuro. O que temos agora são 100 dias de lamentação. Perdemos 100 dias”. Na mesma linha, o deputado Juliano Roso (PCdoB) afirmou que, mais preocupante do que não ter um projeto, é criar um clima de obscurantismo e terrorismo no Estado com o objetivo talvez de apresentar depois um pacote de medidas que vai prejudicar o funcionalismo e promover o desmonte do Estado. “O que vimos até aqui é um governo de muitas frases de efeito, de filosofia barata e de pouca ação”, disse Roso. A deputada Miriam Marroni (PT) emendou: “Não conheço nenhum governador que fale tão mal de seu Estado como Sartori. Essa postura afugenta quem pensa em investir no Rio Grande do Sul”.

Foto Marta Resing
“Não vamos aumentar a arrecadação cortando horas extras de brigadianos”

Para o presidente do PT gaúcho, Ary Vanazzi, o governo Sartori tem um projeto estratégico: adotar um discurso catastrofista para promover o desmonte do Estado. A líder da bancada do PC do B na Assembleia, deputada Manuela d’Ávila, também criticou o tom do discurso do novo governo. Para ela, o governador Sartori vem promovendo um clima de pessimismo militante e um ambiente depressivo que prejudicam o Estado. “Nós não vamos aumentar a arrecadação do Estado cortando horas extras dos brigadianos. A saída para a crise financeira do Estado é política e exige protagonismo político e capacidade de articulação política”, defendeu.

Os deputados do PT e do PC do B também criticaram o atual governo por esconder da população a existência de recursos provenientes de acordos e parcerias já firmadas com a União e com organismos internacionais. “O governo Tarso Genro deixou R$ 4 bilhões para execução entre 2015 e 2018. Muitos desses recursos não exigem nenhuma contrapartida do Tesouro do Estado e estão disponíveis”, afirma a publicação de balanço dos 100 dias de Sartori distribuída aos jornalistas. E dá os seguintes exemplos:

R$ 87 milhões, do BNDES, para a pavimentação de acessos municipais.
R$ 250 milhões, também do BNDES, para vários projetos.
US$ 222 milhões, do BIRD, para a recuperação de estradas.
R$ 94 milhões, do BNDES, para estradas da Serra.
US$ 12,5 milhões, do BIRD, para a compra de computadores para escolas.
R$ 34,2 milhões, do BNDES, para o Plano Safra Estadual.
R$ 260 milhões, do CAF, para a pavimentação de estradas.

Foto Marta Resing
Além disso, cita as novas receitas oriundas do ICMS do aumento da energia elétrica (R$ 1,110 bilhão), da variação da CIDE (R$ 140 milhões), dos créditos de ICMS obtidos na ação da Procuradoria Geral do Estado (R$ 250 milhões) e do impacto financeiro da safra recorde prevista para 2015, que totalizariam cerca de R$ 1,870 bilhão. “O governo Sartori está dramatizando a situação das finanças e criando uma atmosfera muito negativa. Esse ambiente é muito ruim para os servidores públicos e para a população do Estado como um todo”, criticou Luiz Fernando Mainardi.

Para Manuela D’Ávila, a própria base do governo Sartori na Assembleia está perdida nestes primeiros 100 dias. “O governo tem uma base grande, mas que ainda não sofreu nenhum teste. Ela parece tão perdida quanto o governo, sem ter um elemento que a unifique”, comentou a deputada do PC do B. Manuela e seu colega de bancada, Juliano Roso, encaminharam quinta-feira (8) uma carta aberta ao governador Sartori, apresentando quatro propostas que consideram fundamentais para enfrentar a crise financeira do Estado: defesa do patrimônio público e da qualidade dos serviços públicos, contra as privatizações; protagonismo político junto à União para a busca de recursos e a renegociação da dívida, utilização de receitas não previstas (como os recursos advindos do aumento da tarifa da energia elétrica), e o combate à sonegação e à evasão fiscal como forma de aumentar a arrecadação do Estado.

Na tarde desta quinta, Luiz Fernando Mainardi usou o período do Grande Expediente no Plenário da Assembleia Legislativa para apresentar o balanço da bancada do PT sobre os primeiros cem dias do governo Sartori. Os deputados petistas anunciaram que, nos próximos dias, pretendem compartilhar esse balanço em diversas atividades pelo interior do Estado.

Fonte: Portal Sul21.