segunda-feira, 13 de abril de 2015

Solidariedade a Polícia Civil e a Brigada Militar

Foto Vicente Carcuchinski/CMPA 
A vereadora Sofia Cavedon (PT), em sua manifestação sobre o requerimento de solidariedade aos policiais civis do Estado, disse nesta segunda-feira (13/4), na tribuna da Câmara Municipal de Porto Alegre que de fato existem situações dramáticas ocorrendo na segurança.

“O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, dizia em 2014 o contrário dos que hoje estão acampados na frente do Palácio Piratini. Eles afirmam, em seu jornal, que 2014 foi um ano de vitórias para a categoria. Vitórias importantes, que lamentavelmente, hoje, não estão sendo concretizadas. Aqui eles dizem da autorização para o aproveitamento dos 661 candidatos aprovados do Movimento Acadepol Para Todos Já, que se encontra em situação de cadastro reserva, poderão recompor o efetivo da instituição. Essas 661 nomeações estão sendo requeridas pelos policiais civis. E, agora, há um projeto de lei do Sartori que possivelmente termine com as delegacias especializadas, o que poderá ser um retrocesso”, destacou a parlamentar.

Leia abaixo a íntegra de sua manifestação:

Sofia Cavedon: Delegado Cleiton, para fortalecer V. Exa., que requer a nossa solidariedade aos policiais civis do Estado do Rio Grande do Sul, pela mobilização por alterações legislativas para controle da criminalidade e em protesto à morte de policiais vítimas de violência. De fato, nós temos situações dramáticas acontecendo, a segurança é um tema que desafia o Brasil em grande monta. O nosso País é um país cuja construção teve largos períodos de violência, de instalação de profunda desigualdade, de marginalização. Como resultado disso, nós temos um país que, longe de ser um país da alegria, da convivência apenas, da cordialidade, é extremamente violento. Não é, é bem verdade, diferente do mundo, porque, quando discutíamos a redução da maioridade penal, nós trazíamos aqui dados que são assustadores, por exemplo: os Estados Unidos, que são considerados, supostamente, a maior democracia, têm a maior população carcerária do mundo; o Brasil é o quarto país com a maior população carcerária do mundo.

Eu quero aqui fazer uma sugestão: que todos possam assistir ao filme O Sal da Terra, do maior fotógrafo, em minha opinião, vivo do mundo, Sebastião Salgado, que é um brasileiro de quem temos que nos orgulhar. O filme é um documentário sobre a sua vida e sua obra, está ainda nos cinemas e vale a pena ver. Ele mostra o quão violenta é a humanidade em pelo menos duas de suas grandes séries, a série Êxodos e uma série sobre a África, não lembro se tem um nome específico. É dramática a situação que ele apresenta em fotografias, situações que ele viveu em países como a Etiópia, países africanos, onde a violência, a miséria e a fome dizimaram e ainda dizimam milhões de pessoas.

E o Brasil não é diferente disso na questão da violência, e violência contra policiais. Ontem houve uma chacina em Cidreira, a minha prainha de Cidreira – e aqui quero aproveitar para ser solidária com as famílias, com os moradores de Cidreira –, uma chacina de seis pessoas jovens, três menores de idade, que teve como tema a droga e o pouco enfrentamento que nós temos da discussão da criminalização ou não do usuário, do traficante. Acho que esse debate o Brasil ainda deve às vidas dos nossos jovens.

Eu quero dizer, Ver. Delegado Cleiton, o senhor é Delegado, é de uma categoria que está acampada na frente do Palácio Piratini, com barracas, lá estão os brigadianos, lá estão os Delegados... (Aparte antirregimental do Ver. João Bosco Vaz.)

Sofia Cavedon: Não, passei hoje de manhã e lá estão sim, Vereador. No ano passado, eles não estavam acampados, porque 661 Delegados já estavam prontos para ser nomeados. E mostro aqui, Vereadores que questionam, o jornal do Sinpol, Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.  Ao contrário de estarem acampados na frente do Palácio, eles têm um jornal dizendo que 2014 foi um ano de vitórias para a categoria. Foram vitórias da categoria dos policiais civis no ano de 2014, vitórias importantes, que lamentavelmente, hoje, não estão sendo concretizadas. Aqui eles diziam da “autorização para o aproveitamento dos 661 candidatos aprovados do Movimento Acadepol Para Todos Já que se encontra em situação de cadastro reserva poderão recompor efetivo da instituição”. Essas 661 nomeações estão sendo requeridas pelos policiais civis. E, agora, há um projeto de lei novo do Sartori que possivelmente termine com as delegacias especializadas, o que poderá ser um retrocesso.

Eu concluo Sr. Presidente, dizendo que não é aqui uma exploração político-partidária, de jeito nenhum. A nossa solidariedade aos que foram mortos é a luta por mais efetivo, pela efetivação dos 661 que aguardam – delegados, servidores da Polícia Civil acampados lutando para isso –, dos 2 mil brigadianos. Hoje eu ouvia, no Atualidade, a tentativa de dar uma explicação sobre a violência no bairro Petrópolis, a ausência de policiamento. Não há condições. Nós sabemos que não é a nomeação dos 2 mil brigadianos e dos 661 delegados que vai terminar com a violência. Agora, ao não os nomear, é certo que haverá muito mais crimes impunes e que nós teremos muito menos efetivos fazendo a prevenção. Então, a minha solidariedade é a luta para que a segurança, de fato, seja priorizada nessas nomeações. (Não revisado pela oradora.)