quarta-feira, 13 de maio de 2015

Trabalhadores de Santas Casas e hospitais filantrópicos cobram resposta do governo do Estado

A vereadora Sofia Cavedon (PT) participou do ato em apoio às e aos trabalhadores, que protestaram contra os cortes financeiros na saúde feito pelo atual governo do estado.

Trabalhadores vieram de hospitais de diversas cidades do estado

Por Débora Fogliatto - Sul21

Foto Guilherme Santos/Sul21
Centenas de trabalhadores – incluindo diretores – de hospitais filantrópicos e Santas Casas de todo Estado protestaram nesta quarta-feira (13), em frente ao Palácio Piratini, contra cortes na saúde por parte do governo estadual. No Rio Grande do Sul, são 346 entidades que se sentem prejudicadas pela redução orçamentária de R$ 500 mil para a saúde, das quais afirmam que R$ 300 mil dizem respeito a hospitais filantrópicos e Santas Casas.

De acordo com a Federação de Santas Casas e hospitais filantrópicos, a dificuldade financeira das instituições não é de agora, visto que a cada R$ 100 utilizados por instituição, os hospitais recebem R$ 63,08 do poder público. As verbas repassadas pelo governo federal também não são consideradas suficientes. Caso a situação persista, a rede anuncia que precisará reduzir mais de 4 milhões de procedimentos em 2015. “Esses atendimentos serão deixados de ser realizados ao longo do ano, porque cada contrato de hospital tem que ser repactuado devido à nova situação”, lamentou o presidente da federação, Francisco Soares Ferrer.

Após o ato, os representantes entregaram um documento para ser submetido à análise do governo sobre a situação nas instituições. “Queremos ver se o governador vai marcar uma agenda conosco. Precisamos de uma resposta”, disse Ferrer. Ele irá integrar a comitiva que vai a Brasília no início de agosto falar com o governo nacional sobre a situação nos estados.

Muitos hospitais já reduziram atendimentos

Foto Guilherme Santos/Sul21
Há uma semana, no Dia D da saúde nos municípios, a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre anunciou uma redução de 118 leitos e 4.312 internações, representando 437 mil atendimentos ao ano. Da mesma forma, diversas entidades do Estado também precisaram cortar atendimentos.

Foi o caso do hospital Santa Rosa de Lima, do pequeno município de Arroio do Tigre, na região central do estado, em que as cirurgias não-emergenciais já foram cortadas. “Dependendo da situação, vamos ter que diminuir mais. Nós somos o único hospital da cidade e recebemos pacientes de toda a região”, relatou a administradora Madalena Pasa. Ela veio com uma comitiva de quatro trabalhadoras em uma viagem de três horas e meia para participar do ato.

A situação também é grave no hospital filantrópico Dom João Becker, de Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, cujos trabalhadores vieram com uma grande comitiva para o protesto. “Nós estamos atualmente em dívida com nossos profissionais médicos, eles que estão sofrendo com esses cortes hoje. Caso a situação continue a mesma, também vamos ter que cortar atendimentos”, lamentou a diretora administrativa Fabiana Dressler. O Dom João é o único hospital da cidade de mais de 200 mil habitantes e realiza cerca de 600 internações e recebe 5 mil pacientes emergenciais por mês.

Durante o evento, diversas autoridades se revezavam para falar em um carro de som. Deputados da base aliada do ex-governador Tarso Genro (PT) frisaram que na administração passada os repasses para a saúde eram feitos, criticando o novo governo.

Foto Guilherme Santos/Sul21
O presidente do Hospital Campina, em Campina das Missões, Afonso Lúcio Perius, cobrou que o setor público tenha transparência em sua prestação de contas. “O recurso do cofinanciamento é o mínimo necessário para funcionarmos. O governo tem que saber que se repassar as verbas, terá parceiros para buscar recursos em Brasília, mas precisamos ser respeitados”, afirmou.

Por sua vez, o governo estadual argumenta que “estão rigorosamente em dia os valores previstos a partir de dezembro de 2014. Assim, já foram pagos neste ano aos hospitais gaúchos R$ 352,5 milhões do Tesouro do Estado”. Francisco Ferrer rebate que os pagamentos que estão em dia foram feitos após o estabelecimento do corte. “O cofinanciamento é uma política de Estado desde 2002, mas a administração parece desconhecê-lo. Essa é a confusão que estamos debatendo”, explicou.

Matéria publicada no Portal Sul21.