segunda-feira, 22 de junho de 2015

Fette-Sul: Terceirizados recebem, em média, 24% menos do que os trabalhadores contratados de forma direta

Foto Guilherme Almeida/CMPA
Essa iniciativa de retirada é uma reação a este País que vinha construindo direito; é uma reação dos privilegiados de sempre, é uma reação de quem percebe que agora é a hora de construir redistribuição de renda e não apenas distribuição, como vinha se fazendo neste País. E os trabalhadores e trabalhadoras que aqui estão sabem o que está em risco, pois nós já vivemos e convivemos com a exploração da atividade-meio, que é a terceirização, e Porto Alegre não está longe disso – esse debate aqui, nesta Casa, volta muitas vezes. Sofia Cavedon

Leia aqui a íntegra da manifestação da vereadora Sofia Cavedon (PT), após a Tribuna Popular ocupada pela Fette-Sul:

Federação reclama de terceirização do trabalho

O espaço destinado à Tribuna Popular da Câmara Municipal de Porto Alegre foi ocupado, na tarde desta segunda-feira (22/6), pela Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino do Estado do Rio Grande do Sul (Fette-Sul). Na oportunidade, foi abordado o tema da terceirização do trabalho no Brasil. O secretário de administração e finanças da Fette-Sul, Celso Woyciechowski, cumprimentou a todos os dirigentes sindicais que estavam presentes na galeria do Plenário Otávio Rocha e destacou que, atualmente, o projeto das terceirizações se encontra no Senado Federal como PL 4330/2004.

Foto Guilherme Almeida/CMPA
O secretário agradeceu o espaço na Tribuna que, segundo ele, serve para que os trabalhadores exponham a sua opinião sobre a precariedade total do trabalho quando ele se torna terceirizado. "As empresas buscam a redução de custos com a diminuição de direitos dos trabalhadores. Queremos que haja distribuição de renda e inclusão social, além da valorização do trabalho", disse.

O secretário destacou que a terceirização do trabalho tem sido tratada como um ato moderno, adotando como princípio criar gastos flexíveis para as empresas, ou seja, uso de trabalhadores com custo variável. "Queremos dizer que esta modernidade tenta instituir relações arcaicas de trabalho, ferindo, do ponto de vista econômico, os profissionais terceirizados. Diminuir custos e salários, aumentando jornadas de trabalho, para nós, do ponto de vista social, é criar trabalhadores de segunda classe, o que em um país desenvolvido não se deve admitir", ressaltou.

Segundo Celso Woyciechowski, a terceirização torna o emprego precário e todos os estudos que têm sido feitos dizem que há uma diminuição do número de trabalhadores com a terceirização. "Há um ritmo de trabalho exaustivo e a redução dos postos de trabalho. Queremos igualdade de direitos e a busca pela qualidade de vida dos trabalhadores, os quais são vítimas deste tipo de mercado de trabalho", disse. Conforme o secretário, 26,8% dos brasileiros são terceirizados e recebem, em média, 24,7% menos do que os trabalhadores contratados de forma direta. "Estes trabalhadores terceirizados exercem três horas a mais do que os trabalhadores diretos. Se este modelo de trabalho exaustivo fosse abolido, poderíamos já ter criado, em média, 882 mil novas vagas de trabalho sem jornada de exercício excessiva", disse.

Foto Guilherme Almeida/CMPA
Woyciechowski destacou que a média de tempo de trabalho nas empresas terceirizadas é de 2,7, enquanto isso, no exercício direto, a média é de oito anos. "Isto é um atentado contra qualquer plano de carreira e, como consequência, certamente, haverá uma grande desorganização das associações de trabalhadores, tornando-os mais vulneráveis", afirmou. O secretário disse que o ataque à vida e à saúde dos trabalhadores terceirizados está exposto em números. "A cada cinco mortes no trabalho, quatro delas são de trabalhadores terceirizados", disse.

Celso Woyciechowski afirmou que é preciso olhar com muita responsabilidade o tema da terceirização, pois, além da discriminação que estes profissionais sofrem nos seus locais de trabalho, os seus planos de carreira estão sem futuro. "Esta segregação interfere fortemente na solidariedade entre os trabalhadores e precisamos de normas para tornar a vida dos terceirizados mais igual e com direitos", concluiu.

Repúdio

Logo depois da Tribuna Popular sobre as terceirizações, a Câmara Municipal aprovou Moção de Repúdio ao projeto de lei 4330/2004, da Câmara dos Deputados, também conhecido como PL das Terceirizações. A Moção foi proposta pelo vereador Engenheiro Comassetto (PT). Após discussão da matéria, com a presença de 22 vereadores, o requerimento foi aprovado com 15 votos favoráveis, seis contrários e uma abstenção.

Fonte: Portal da CMPA.