domingo, 28 de junho de 2015

PT Estadual quer mudanças! Carta de Porto Alegre

Foto Divulgação PT/RS
Leia a Carta de Porto Alegre, aprovada neste Sábado (27) no Diretório Estadual do Partido.

“O PT precisa construir uma nova utopia. Precisamos voltar a falar para a juventude. Está na hora de fazer uma revolução neste partido, uma revolução interna e colocar gente nova, gente que pensa diferente, gente mais ousada” Lula

O momento político é extremamente grave. Enfrentamos uma gigantesca ofensiva contra o nosso partido e, como todos reconhecemos, a maior crise da nossa história.

Mudança. Esta palavra simboliza muito da nossa história e compromissos com o nosso país. Nestes trinta e cinco anos, tivemos a coragem de mudar e iniciamos junto com o povo brasileiro uma grande mudança no Brasil, reduzimos a pobreza, ampliamos o acesso à educação e à cultura para todos, ampliamos direitos civis e criamos um novo ciclo de desenvolvimento em nosso país. Mas é preciso avançar mais no caminho da redução das desigualdades e na ampliação de direitos.

Ampliar direitos é reduzir privilégios. Inconformados com a perda destes privilégios a classe dominante brasileira associada à grande mídia e ao fundamentalismo religioso iniciaram uma grande ofensiva contra nosso projeto tanto nos seus fundamentos econômicos quanto nos avanços sociais e da ampliação dos direitos civis.

Combater a corrupção, respeitado o estado democrático de direito, é essencial para a democracia. A investigação sobre denúncias de corrupção precisa ser feita e corruptos e corruptores devem ser punidos, porém a forma como é conduzida a operação “Lava-Jato”, cerceando o direito de defesa e a presunção constitucional de inocência, bem como as prisões baseadas apenas em delações sem provas, gera um estado de insegurança jurídica. Setores do judiciário estão criando um sistema jurídico de exceção. O PT reafirma seu compromisso de afastar do partido todos os que comprovadamente estiverem envolvidos em atos de corrupção. No entanto, o partido exige que todos os episódios, inclusive o mensalão tucano, a corrupção no metrô de S.Paulo, a operação Zelotes, os depósitos no HSBC na Suíça, sejam investigados com a mesma profundidade da operação Lava Jato.
Cresce em nosso país um pensamento conservador. A grande mídia e a direita em seus ataques diários às instituições democráticas estão gerando um ambiente de ódio. Essa postura que busca gerar uma instabilidade política no país também dificulta a implantação de medidas efetivas para superar a crise anunciada.

O momento político que vivemos exige das forças populares uma constante mobilização, tanto para evitar os retrocessos, como para avançar nas mudanças que o povo brasileiro quer e necessita. Esta premissa tem orientado o PT/RS nas suas avaliações sobre o cenário estadual e nacional. Os movimentos sociais e populares nos dizem: “nos preocupa o nosso projeto, nos preocupa o PT.”
A crise internacional do capitalismo está atingindo fortemente o Brasil e os países da América Latina. Considera-se que o enfrentamento desta crise, com aumento da taxa de juros, contenção dos investimentos e aperto sobre os direitos trabalhistas são medidas equivocadas do governo, e contrariam o programa pelo qual a presidenta Dilma foi eleita. Tais medidas prejudicam a ampla base social que nos apoiou.

Ao aprofundar a estratégia de governabilidade conservadora, compartilhando a condução do governo com a centro-direita, nos afastamos de nossa base social e empoderamos nossos adversários.
A ofensiva da direita, fortemente amplificada em 2015, desafia o PT e o campo democrático-popular a construir uma resposta pautada na mobilização por mais direitos e por maiores transformações sociais.

A reversão deste quadro está na política, no programa a ser defendido e implementado.
Neste cenário, realizamos a segunda etapa do V Congresso do PT. No ato de lançamento, ainda em 2014, o ex-presidente Lula afirmou que “é preciso voltar a construir sonhos, é preciso voltar a construir utopia porque a humanidade não caminha sem esperança”. Esta esperança encheu de motivação a nossa militância.

No RS, a etapa estadual do V Congresso mobilizou 250 delegados e delegadas que, de forma uníssona, disseram ser necessário o nosso Partido ser mais propositivo e combativo alterando os rumos do governo Dilma para cumprir nosso programa, vitorioso nas eleições de 2014.

Entretanto, o V Congresso Nacional foi incapaz de apontar as mudanças urgentes a serem feitas em nosso percurso e remeteu assuntos importantes ao Diretório Nacional como, por exemplo, o financiamento do Partido e das campanhas, abrindo mão do protagonismo do debate e da decisão.

O sentimento existente na avaliação política da base partidária é que as decisões da delegação escolhida em 2013, noutro momento do Governo e do PT, não respondem aos grandes desafios da conjuntura atual. Faltou consciência do tempo histórico eunidade partidária para produzir uma síntese política que conduzisse o Partido à vanguarda da luta da classe trabalhadora e, assim, articulasse a força social suficiente para enfrentar o ascenso conservador e ajudar, com sustentação política, o Governo a aplicar o programa para o qual foi eleito.

Mas não foi isso que aconteceu. Apesar dos debates nos grupos terem apontado os avanços necessários somando-se ao documento apresentado por 35 deputados e deputadas da Bancada Federal, se aplicou a tática de uma maioria conjuntural para travar o debate e impor resoluções ao Congresso.
Para o PT gaúcho, o debate não está encerrado na esvaziada plenária final de Salvador. Consideramos que as elaborações plurais devem ir muito além daquela produzida no Congresso, fazendo com que a diversidade de opiniões, como as de Lula manifestadas após o Congresso, continue aflorada e ajude a nossa militância a impulsionar tanto o nosso Partido, como o nosso governo para o rumo certo: ao lado do povo brasileiro.

Éincompreensível que o V Congresso tenha derrotado a resolução sobrea “Defesa da Democracia, da Luta e dos Direitos dos Trabalhadores” proposta pela Central Única dos Trabalhadores e pelos movimentos sociais, afirmando que é preciso fazer o ajuste sobre os mais ricos.

Nesse sentido, reafirmamos o conteúdo das nossas resoluções, construídas com a mais significativa unidade partidária dos últimos anos. É fundamental que o PT, com autonomia e solidariedade, aponte que o Governo Dilma precisa “Mudar já para crescer e incluir mais”, conforme título de nossa resolução, apontando, em especial ser necessária a “reorientação imediata da política econômica iniciada pelo governo no mês de janeiro”.

A relação do PT com as demais forças do campo popular, democrático e progressista, deve ser aprofundada. Reafirmamos que urge a criação de uma Frente Política que aglutine partidos de esquerda, movimentos sociais e as redes de ativistas pelos direitos sociais com o objetivo de disputar pautas econômicas e políticas, enfrentando o retrocesso representado, por exemplo, na redução da maioridade penal, nos ataques aos direitos dos trabalhadores – como no projeto de terceirização, na supressão do debate de gênero, na reforma política em curso no Congresso Nacional e na tentativa de revisão do sistema de partilha do petróleo. O objetivo estratégico desta frente deve ser a luta pelas reformas estruturais, construindo instrumentos de articulação política e de comunicação de massas que nos permitam enfrentar e vencer o oligopólio da mídia.

Por tudo isto o DRPT/RS decide manter vivo o debate sobre a estratégia que deve seguir, autoriza a Executiva Estadual a convocar um novo congresso no estado e conclama a todos os delegados e a todas as delegadas do V Congresso do PT a avocar o artigo 113 de nosso Estatuto para chamar um Encontro Nacional EXTRAORDINÁRIO. Um Encontro que tire alternativas concretas à política econômica e mantenham o PT na sua trilha correta: ao lado do povo brasileiro, na defesa intransigente de políticas e estratégias para retomada do crescimento com distribuição de renda, fazendo os ricos a pagar a conta, taxando as grandes fortunas e heranças, na defesa do emprego, do salário, dos direitos dos trabalhadores e da ampliação das políticas sociais. Um Encontro que reafirme o fim do financiamento empresarial ao partido estendendo-o as campanhas eleitorais. A hora é de defender o legado e o futuro de nosso Partido contra a tentativa de cerco e aniquilamento em curso pelos inimigos do povo. Mais do que nunca, esta mudança precisa continuar. É preciso mudar o PT para mudar mais o Brasil.

PT – PARTIDO DOS TRABALHADORES e DAS TRABALHADORAS!
Porto Alegre, 27 de junho de 2015.