quinta-feira, 18 de junho de 2015

Reforma Política é tema de debate na Câmara da Capital

A Câmara Municipal de Porto Alegre realizou, nesta quinta-feira (18/6), período de Comunicações Temáticas para debater o tema Reforma Política, de iniciativa da Bancada do Partido dos Trabalhadores (PT). Participaram do debate o arcebispo emérito de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, que falou pela CNBB; o representante da CUT/RS, Claudir Nespolo, e Maria do Carmo Bittencourt, que representa a Marcha Mundial das Mulheres no Estado.

Foto Guilherme Almeida/CMPA
Dom Dadeus disse que a Reforma Política tem de partir do princípio de que fazer política é trabalhar em prol do bem comum, mas sem paternalismo. Para ele, a sociedade precisa ser encarada como um ser que cresce, se desenvolve e depois deve andar com as próprias pernas, decidindo ela mesmo seu destino. "A reforma, portanto, deve ter como primeira questão a representatividade. É preciso respeitar a autonomia de cada pessoa na proporção de sua capacidade. A sociedade tem de ser organizada assim também, de tal modo que as entidades menores tenham a sua autonomia. A sociedade deve ser ativa e não apenas passiva."

Para o representante da CNBB, o Brasil também é injusto em muitos sentidos. “Há discriminação. Existe um salário mínimo, mas não temos um salário máximo. Precisamos mudar de mentalidade para que a política seja mais fraterna. O maior valor é a fraternidade”, observou Dom Dadeus.

Foto Guilherme Almeida/CMPA
Maria do Carmo disse que o primeiro passo para uma Reforma Política no Brasil é a eleição de uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva. "Hoje, o Congresso, com sua composição, não tem condições de votar a reforma necessária. O que estão fazendo lá está piorando a situação, é uma contrarreforma", criticou. Para ela, a reforma em si tem de reconhecer também as diferenças de gênero. "Dizer que não precisa de cota é não reconhecer que há diferenças de gênero. Por isso, estamos percorrendo o Estado, indo às ruas, coletando votos para que o Congresso faça uma reforma que vá além do que os homens pensam." Afinal, lembrou Maria do Carmo, a maioria da população brasileira hoje é formada por mulheres.

A representante da Marcha Mundial de Mulheres ressaltou ainda que as mudanças só irão acontecer quando se conseguir eleger representantes que escutem as pessoas e a sociedade organizada. “Temos, hoje, partidos políticos muito frágeis. Precisamos eleger propostas e programas e não pessoas e figuras emblemáticas”, concluiu Maria.

Foto Guilherme Almeida/CMPA
Presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT-RS), Claudir Nespolo avalia que as mudanças no sistema político que vêm sendo promovidas pelo Congresso Nacional não satisfazem os interesses da maioria da população. "É uma maquiada que está promovendo o retrocesso na política brasileira", acredita. Embora reconheça que isso está cada vez mais distante da realidade, o dirigente da CUT deseja que uma Constituinte Exclusiva sobre o Sistema Político seja convocada. "Não abrimos mão das utopias. Queremos melhorar a democracia, e o que a tem estragado é o financiamento empresarial de campanha", afirmou, saudando o projeto de lei do vereador Marcelo Sgarbossa (PT) aprovado na Câmara que impede empresas que realizarem doações na campanha eleitoral de firmarem contratos com a Prefeitura ou com o Legislativo municipal.

Mudanças 

Foto Leonardo Contursi/CMPA 
Em sua manifestação a vereadora Sofia Cavedon (PT) observou as mudanças que o país precisa fazer ainda para garantir o avanço dos direitos. “Precisamos buscar uma reforma política que liberte a cidadania e o fim do financiamento empresarial para as campanhas. É necessário alterar o sistema político eleitoral, fortalecer a escolha de ideologias e a capacidade do cidadão de controlar e fiscalizar os políticos”, ponderou Sofia, ratificando que é fundamental restaurar a democracia.

Fonte: Portal da CMPA.