terça-feira, 22 de setembro de 2015

Criada a Frente Parlamentar Contra Privatizações

Foto SindBancários/RS
Diante da alardeada crise nas finanças do Rio Grande do Sul, o governador José Ivo Sartori parcelou o salário dos servidores estaduais, sugeriu o aumento de impostos e propôs a extinção de fundações públicas, entre outras medidas. Temerosos sobre quais podem ser os próximos alvos do Executivo gaúcho na busca do equilíbrio das contas, vereadores e sindicalistas lançaram, na tarde desta terça-feira (22/9), no Auditório Ana Terra da Câmara Municipal de Porto Alegre, a Frente Parlamentar pela renovação da concessão da CEEE e pelo fortalecimento da CEEE, da Corsan, do Banrisul, da Sulgás e da CRM.

Os participantes enfatizaram que, em sua visão, vender patrimônio público é prejudicar sobretudo os pobres, que mais necessitam do Estado. O vereador Airto Ferronato (PSB) é o proponente da iniciativa.

Foto Marta Resing
A vereadora Sofia Cavedon (PT) será a relatora da Frente Parlamentar.  A vereadora defende que os sindicatos, movimentos sociais, associações de classe e de representação dos servidores públicos se unam e trabalhem no sentido de mobilizar a informar a população gaúcha do risco de redução do Estado. “Tivemos aqui hoje um testemunho de competência técnica das empresas estatais. Temos que mobilizar a população gaúcha e repudiar qualquer tentativa de venda do patrimônio público”, afirmou. Sofia também lamenta que o governador Sartori não utilize de recursos disponíveis para pagar em dia o funcionalismo e disse que é inaceitável que a Assembleia gaúcha vote projetos importantes de portas fechadas, como fez na quarta-feira (16/9), sem a presença da população, “uma imposição absoluta do autoritarismo”.

CEEE e Banrisul

Vice-presidente do Sindicato dos Eletricitários do Rio Grande do Sul (Senergisul), Ana Spadari reivindicou os mais de 70 anos de contribuição da CEEE com o desenvolvimento do Estado. Para ela, isso se materializa, por exemplo, nos mais de 6 mil quilômetros de linhas de transmissão. Ana assinalou também que a empresa não utiliza recursos do caixa único do Estado, embora o contrário aconteça com frequência. Privatizar, portanto, seria uma decisão ideológica, na sua opinião. "O fantasma da privatização nos ronda desde 1997, ainda sob o governo Britto. Boa parte da CEEE foi entregue à iniciativa privada, e eu pergunto: onde está o dinheiro? Resolvemos nossos problemas? RGE e AES Sul prestam bons serviços? Se não fosse o investimento público na área de eletricidade, boa parte da população pobre talvez vivesse à luz de velas ainda hoje", afirmou.

Foto SindBancários/RS
Presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), Everton Gimenis sinalizou, desde o início, que, para ele, privatização é sinônimo de prejuízos ao povo pobre. Voltando seu discurso para o Banrisul, Gimenis lembrou que o banco público é o que atende ao maior número de municípios no Estado, alcançando em torno de 99% da população. "Além de funcionar como indutor do desenvolvimento e ter uma importância muito grande em setores como a agricultura, por meio de financiamentos, o Banrisul é que atende as pequenas localidades. Qual banco privado atende às cidadezinhas pobres do Rio Grande do Sul?", indagou.

Vendo semelhanças entre as administrações de Sartori e Antônio Britto, o sindicalista recordou de um episódio da década de 1990. "Britto privatizou a Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), colocou o dinheiro da venda no caixa único do Estado e realizou meia dúzia de obras com esse valor. Em compensação, o Rio Grande ficou sem posses, descapitalizado, como o pequeno agricultor, que vende a única vaca que possui para pagar uma dívida e depois percebe que continua com um débito, mas já não tem mais fonte de renda", comparou.

Propostas aprovadas na reunião da Frente Parlamentar
- Integração da CESA
- Criar a Frente nos municípios do RS a partir das Câmaras de Vereadores
- Realizar um amplo abaixo-assinado com coleta de assinaturas em todo o Estado

Com informações dos Portais da CMPA e SindBancários/RS

Veja também:
Frente Parlamentar defende patrimônio público e mobilização em reunião na Câmara de Vereadores