sábado, 26 de setembro de 2015

Lideranças do Morro Santa Tereza rebatem rótulo de local dominado pela violência

Foto Marta Resing
Movimento em Defesa do Morro Santa Teresa realiza coletiva na Câmara Municipal de Vereadores/as

Por Jaqueline Silveira/Sul21

Lideranças comunitárias do Movimento em Defesa do Morro Santa Tereza concederam, na tarde desta sexta-feira (25), uma entrevista para mostrar que o local é habitado por trabalhadores e que não é dominado pela violência. A coletiva foi uma reposta à reportagem publicada no jornal Zero Hora no último domingo (20) que, segundo os moradores, rotulou o morro como um lugar dominado pelas drogas, o medo e a criminalidade. No início do mês de setembro, a polícia matou o jovem Ronaldo de Lima, 18 anos, desencadeando revolta dos moradores que queimaram ônibus.

Foto Marta Resing
Júlio Pacheco lê o manifesto dos moradores

Eu moro lá há 52 e nunca fui assaltado ou roubado”, afirmou o presidente da Associação dos Moradores da Vila Padre Cacique, Júlio Pacheco, que leu o manifesto em repúdio ao tratamento dado pelo veículo à comunidade. São quatro vilas que integram o Morro Santa Tereza: além da Padre Cacique, União Santa Tereza, Gaúcha e Ecológica. Todas estão situadas numa área que pertence à Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase). “Esse tipo de comunicação reforça e estimula violência pelo Estado”, dizia um trecho do manifesto, sobre a reportagem.

Foto Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Na coletiva, os representantes do morro voltaram a reclamar da atuação da Brigada Militar, que estaria revistando sem motivos moradores que saem para trabalhar. Líderes comunitários afirmaram que episódios envolvendo a violência que ocorrem no morro são protagonizados por pessoas que vêm de outros bairros e, portanto, não pertencem à comunidade. “Esse movimento quer mostrar que o morro é muito mais que episódios de violência”, destacou a vereadora Sofia Cavedon (PT), que coordenou a coletiva. As lideranças também garantiram que nos últimos quatro anos não aumentou a população das quatro vilas, pois há um controle.

Foto Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
O Movimento em Defesa do Morro Santa Tereza se formou com o objetivo de lutar pela regularização fundiária da área, a preservação ambiental e a reestruturação e ampliação das instalações da Fase.

As lideranças receberam o apoio de entidades e órgãos, como o Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge-RS). Representante do Senge, Vinicius Galeazzi reclamou que a reportagem denegriu as comunidades e prejudicou o trabalho que está sendo construído no local, que “não é fácil”. “Uma bomba poderosa de efeito moral caiu sobre o Morro Santa Tereza e colocou por terra a autoestima da população. A indignação é muito grande”, observou Galeazzi. Sobre tráfico de drogas na localidade, ele afirmou que há em todo o lugar, inclusive há ponto de venda próximo de sua residência no Bairro Três Figueiras, região nobre da Capital. “Não é o Morro Santa Tereza que tem de ser demonizado”, completou o representante da Vila Padre Cacique, Júlio Pacheco.

Foto Marta Resing
Darci dos Santos, presidente da associação de moradores da Vila Gaúcha 


Presidente da Associação de Moradores da Vila Gaúcha, Darci dos Santos afirmou que o tráfico de drogas é um problema que tem de ser resolvido pela Brigada Militar. “O que o Estado não está fazendo, eu estou fazendo, eu luto contra a violência, contra o roubo. Existem pessoas trabalhadoras lá”, defendeu o líder comunitário, que mora na Gaúcha há 34 anos.

Outra liderança da comunidade, Orlei Maria, disse que o problema da falta de segurança “é generalizado”. “Eu sou conselheira do OP (Orçamento Participativo) e volto 10 ou 11 horas da noite e nunca aconteceu nada. Eu não sou uma indigente, não sou uma pobre coitada”, rebateu ela, que é presidente da Associação de Moradores da Vila União Santa Tereza.

Foto Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Vilas do Morro Santa Tereza

- Gaúcha – 600 famílias
- União Santa Teresa – 245 famílias
- Ecológica – 400 famílias
- Padre Cacique – 46 famílias

Fonte: Portal Sul21

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