quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Mulheres da América Latina se reúnem no RS neste final de semana

A Primavera pelo Direito ao Corpo e à Vida das Mulheres acontece de sábado à segunda-feira em Santana do Livramento

A vereadora Sofia Cavedon (PT), procuradora da Mulher na Câmara Municipal de Porto Alegre, participará do encontro.

Em defesa da Legalização do Aborto, Marcha Mundial das Mulheres chega ao Rio Grande do Sul em mais uma etapa de sua IV Ação Internacional

Cerca de 500 mulheres do Brasil, Argentina e Uruguai se reúnem em debates e ato pela legalização e descriminalização do aborto

Nos dias 26, 27 e 28 de setembro, chega à região sul do país mais uma etapa da IV Ação Internacional das Marcha Mundial das Mulheres. Cerca de 500 mulheres estarão reunidas na fronteira das cidades de Sant’Ana do Livramento (RS), no Brasil, e Rivera, no Uruguai, para a Primavera pelo Direito ao Corpo e à Vida das Mulheres. No encontro, que receberá mulheres destes dois países e também da Argentina, serão debatidos a legalização e descriminalização do aborto sob diferentes perspectivas. Contextualizando a realidade de cada um dos países participantes, a programação contempla plenárias e outras atividades sobre a laicidade dos territórios, saúde, gênero e sexualidade.

#SomosTodasClandestinas       

Estudos apontam que, no Brasil, quase 1 milhão de mulheres recorrem a procedimentos clandestinos para interrupção de gravidez. Estes números são extra-oficiais, já que a criminalização do aborto promove a subnotificação de casos pelo Sistema Único de Saúde. Na Argentina, os índices apontam cerca de 500 mil abortos clandestinos anualmente. Nos dois países, as mulheres precisam recorrer à clandestinidade, mas a realidade socioeconômica de cada uma das mulheres determina a segurança na realização do procedimento e, portanto, determina também quais mulheres seguirão suas vidas com qualidade física e psicológica, quando seguem, já que muitas delas perdem as suas vidas no processo. “O recorte de classe é evidente e determina quais mulheres morrem e quais mulheres seguem suas vidas. Aquelas com melhor condições financeiras têm a possibilidade de realizar o aborto em clínicas especializadas, enquanto mulheres pobres – majoritariamente negras – recorrem a métodos completamente invasivos e inseguros”, comenta Cintia Barenho, uma das coordenadoras da ação.

Diferentemente desses países, o Uruguai reconheceu em 2012 o direito das mulheres sobre o seu corpo e, hoje, as mulheres uruguaias podem realizar a interrupção da gravidez indesejada em segurança e na legalidade através do serviço de saúde, com uso de medicamentos. Um balanço oficial do governo uruguaio informou que, no período de um ano de vigência da Lei de Interrupção da Gravidez (lei de aborto), foram realizados quase 7 mil abortos seguros. E nenhuma mulher faleceu. No entanto, os movimentos feministas denunciam que o direito ainda não é pleno para as mulheres, havendo muita rejeição médica e discrepância em atendimentos entre aquelas que estão na capital e no interior do país.

Nem Papas, nem Juízes, as Mulheres que decidem

Diante dessa realidade regional, a "Primavera" terá como ponto forte a luta pelo direito ao aborto, uma das práticas que recebem hoje os maiores ataques conservadores e reacionários, em que mulheres são consideradas criminosas por decidirem sobre a maternidade. As mulheres que estarão reunidas nesta mobilização lutam por autonomia, pelo direito de decidir sobre o modo como vivem suas vidas e sexualidade e entendem como essencial a garantia do estado laico.

A Primavera pelo Direito ao Corpo e à Vida das Mulheres

Na construção da Primavera pelo Direito ao Corpo e à Vida das Mulheres, militantes do Brasil, Uruguai e Argentina se unem para fazer florescer a autonomia, a partir da troca, articulação e fortalecimento das lutas feministas. A região de fronteira foi escolhida para possibilitar e evidenciar este intercâmbio contra o poder médico e conservador. Confira toda a programação abaixo.

Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres!


Com informações do Blog da 4ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres.