segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, morto pela ditadura

Por Camila Boehm - Agência Brasil

Foto Roberto Parizzoti/CUT
A Catedral da Sé, em São Paulo, recebeu no último domingo (25) um ato inter-religioso em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado nas dependências do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), há exatos 40 anos.

O evento lembrou a celebração em memória do jornalista, ocorrida seis dias após sua morte, conduzida pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo pastor Jaime Wright, que reuniu oito mil pessoas na mesma Catedral, para protestar contra a barbárie cometida pela ditadura militar, em vigor no país desde 1964.

Cerca de 800 cantores, de 30 corais, se concentraram na Praça da Sé, subiram as escadarias e entraram na Catedral cantando o refrão de Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré, composta em plena ditadura. Quando todos já estavam dentro da igreja, a canção foi apresentada por completo, junto à banda que estava próxima ao altar. Logo após, começou o ato envolvendo diversas religiões, que o Instituto Vladimir Herzog descreveu como “uma prece multicultural, uma oração de todos os homens e de todos os credos, numa só voz”.

A viúva Clarice Herzog disse que seu sentimento hoje, diante do ato, é de vitória da sociedade. “A dor, a revolta, o ódio que eu senti, aconteceram há 40 anos e me mobilizaram a fazer tudo. Eu tinha que fazer alguma coisa, eu tinha que provar para a sociedade que o Vlado tinha sido assassinado e eu consegui fazer isso”, declarou.

Segundo ela, o fato de Vlado dar aulas na Universidade de São Paulo (USP), ser diretor de um telejornal da TV Cultura, ser conhecido internacionalmente e também ser um cara do bem, deixou a sociedade muito fragilizada e ajudou na conscientização das pessoas de que elas precisavam se mobilizar contra a violência da ditadura militar.

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