quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Repúdio a violência contra as mulheres e punição aos policiais responsáveis

Foto Guilherme Almeida/CMPA
Na tribuna da Câmara Municipal de Porto Alegre, a vereadora Sofia Cavedon (PT), procuradora da Mulher da Casa, repudiou a violência sofrida por jovens mulheres pela Brigada Militar. "Um movimento cultural, onde jovens meninas que estavam ensaiando foram abordadas por policiais de forma violenta, que usaram da força, ameaça e racismo."

Sofia destacou que é essencial que todas as classes e movimentos unam-se contra o caso, através de passeatas e intervenções. "Os órgãos de segurança não podem abordar de forma violenta pessoas indefesas, apenas pelo fato de serem mulheres." A vereadora citou a importância de investigações assíduas, para entender o fato e punir os policiais responsáveis.

Leia abaixo a íntegra de sua manifestação:

Foto Elisamar Rodrigues
Sofia Cavedon: Sr. Presidente, Sras. Vereadoras e Srs. Vereadores, agradeço à Ver.ª Jussara, nossa Líder de oposição, aos Vereadores do PCdoB, PT e PSOL por este momento de oposição ser dedicado ao repúdio da violência sofrida por jovens mulheres, construindo, na Praça João Paulo II, a 1ª Feira Livre Feminista e Autônoma da Cidade de Porto Alegre, na linha da Feira do Livro, na temática da ocupação das praças e parques, um movimento pacífico, um movimento cultural, jovens meninas, vinte meninas ensaiando uma manifestação cultural foram abordadas no domingo, por policiais.

Primeiro, uma viatura, já de forma violenta, de forma truculenta, sem diálogo, e depois por seis outras viaturas que não admitiram qualquer resistência, que usaram da força, da ameaça, do racismo, apontaram armas, correram atrás das meninas que dispersavam, usaram de uma brutalidade inexplicável e inaceitável na nossa Porto Alegre, em um País que procura proteger suas mulheres e avançar na democracia. Ora, é preciso, tanto na manifestação de segunda-feira, dia de finados, jovens de vários movimentos sociais, homens e mulheres, têm-se unido a esse protesto.

Foto Elisamar Rodrigues
Ontem, na frente do Palácio Piratini, e é disso que quero falar mais, 400 meninas e meninos, jovens na sua maioria, protestavam contra a violência de Estado, indignados e indignadas, que o cidadão e a cidadão, em especial as mulheres, não tem o respeito e as garantias que a Constituição lhes dá, de estar nos espaços públicos, de serem respeitadas, de terem sua integridade mantida e observada, e dos órgãos de segurança não praticarem violência só pelo fato de ser mulher porque isso ficou caracterizado na ação violenta da Brigada Militar, no domingo à noite. E ontem , esses movimentos exigiram que o gestor, que o Governo do Estado se manifeste sobre o tema, instale uma sindicância, identifique os responsáveis, os agentes que ali atuaram, identifique-os, reconstitua todo o evento, escute a sociedade, escute testemunhas, escute as meninas que têm medo de depor, inclusive pela falta de confiança na seriedade e na postura cidadão e ética de quem dirige e de quem atua eventualmente na ponta, e não é para generalizar, mas para falar de ações especificas.

 Ora, a impunidade em situações como essas nos levarão a momentos, como já vivemos, de indignação, de impotência, que infelizmente tem acontecido no País, onde, não balas perdidas, não tiroteio atrapalhado, mas abordagem da Polícia tem executados jovens inocentes, como foram os dois taxistas há poucos dias, no Rio de Janeiro, como foram meninos, crianças que acabam virando vítimas da violência explicita, da inexperiência, da tensão, pelo qual passam os nossos policiais. Se de um lado há uma responsabilidade pela redução do efetivo, criminosa, pela não nomeação de brigadianos e delegados, pela situação de insegurança que está em nosso Estado – e o Governador deve responder por isso -; de outro, os exageros, as exacerbações, a violência produzida pela própria violência, e a violência contra as mulheres produzida pela Brigada e pelos órgãos de Segurança, não pode passar impune.

 E nós vamos formalizar, pela Procuradoria da Mulher, espero que pela Câmara de Vereadores, ao Governador do Estado, que instale sindicância... (Som cortado automaticamente por limitação de tempo.) (Presidente concede tempo para o término do pronunciamento.) E eu concluo dizendo, que identifiquem os responsáveis, que tipifique a ação, que diga que providências tem feito e que peça desculpas e faça reparações ao grupo de jovens que ali buscava espaço cultural, ocupava praças, se organizava para viver o seu direito de estar no espaço público.

O nosso repúdio, e que não passem ilesas nenhuma dessas atitudes. Porque quem tem que garantir a segurança das mulheres, cujos índices de violência continuam altos, é a Segurança pública, e se elas não puderem contar nem com eles, que tenham respeito, diálogo, abordagem adequada em situação como essas, com quem contarão as mulheres. Que esta Câmara se levante, e nós apoiaremos o manifesto de Moção de Repúdio que a Ver.ª Jussara Cony está encaminhando, e vamos formalizar também pela Procuradoria. (Não revisado pela oradora.)

Veja também:
Centenas protestam contra repressão a mulheres em Porto Alegre

Fonte: Portal da CMPA.