quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O Brasil de agora - Por Sofia Cavedon

Artigo publicado no Portal Sul21

Foto Marta Resing
Ao contrário do que muitos tentam convencer o povo brasileiro, este momento é histórico e alvissareiro. A força de nossa democracia está sendo testada e sairá muito maior se buscarmos compreender o que ocorre e não cairmos na simplificação de que o problema são os políticos que são todos corruptos. Pior, que o problema é o esquema de corrupção inventado por um único partido que comanda “a quadrilha que achaca os cofres públicos”.

Comprar a versão de que basta jogar pedras na “Geni” e a moral estará restabelecida no país, é renunciar à construção democrática que se avizinha.

O Brasil de agora tem instrumentos para enfrentar o monstro chantageador e usurpador. Novas leis como a anticorrupção, a lei da lavagem de dinheiro, a de combate às organizações criminosas, lei do conflito de interesses, todas de 2012 e 2013 dão efetividade às investigações e penalização dos envolvidos, no caminho de construir relações mais virtuosas entre o privado e o público.

O Ministério Público passou a ter autonomia total ao ter o primeiro da lista dos eleitos pelos procuradores federais, indicado para o cargo de Procurador Geral da República, por isso Janot é temido e respeitado. Estruturou a Procuradoria para ter capacidade investigativa e operacional. Bem diferente de quando esta estratégica figura virou o “engavetador geral da República” no governo do FHC: 217 inquéritos criminais envolvendo autoridades arquivados e 242 denúncias de 626, engavetadas.

No Brasil de agora, a Polícia Federal é uma instituição eficaz. Com orçamento do mais de 5 bilhões, estrutura, pessoal, tecnologia adequada e 17 delegacias especializadas no combate à corrupção e desvios de recursos públicos, criadas em 2012, realizou entre 2013 e 2014, 2.195 operações envolvendo investigações em longo prazo, prisões simultâneas, com mais de 22 mil pessoas presas. Já nos anos anteriores, de FHC, apenas 40 operações dessa ordem, muitas delas frustradas!

A combinação desses fatores faz com que corruptos e corruptores estejam sendo presos, responsabilizados e restituindo recursos desviados.

É bem verdade que se pode dizer que se fortalecem essas instituições, desalenta ver o quanto resiste à maioria do Congresso Nacional em fazer sua parte. Foi preciso o Supremo Tribunal Federal considerar inconstitucional a contribuição empresarial das campanhas, mesmo desvelado o sistema corrupto que isso alimenta. Foi preciso o povo se organizar nas ruas, de um lado e de outro para que novas leis anticorrupção fossem para o Congresso, na defesa da Petrobras e dos direitos, para que as mudanças na política econômica começassem a acontecer e para que se preserve a democracia acima de tudo!

É assim que 2016 nasce: alvissareiro! Não precisamos de Geni para salvar o reino, precisamos da democracia fortalecida, do estado virtuoso, forte no controle do interesse público, guardião da ética, construtor da justiça social e da cidadania.

Sofia Cavedon é vereadora, líder da Bancada do PT na Câmara Municipal de Porto Alegre.

Fonte: Portal Sul21