terça-feira, 1 de março de 2016

Cece discute fechamento de EJAs em duas escolas municipais

Foto Reprodução
A Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece) discutiu, nesta terça-feira (1/3), o fechamento da modalidade de ensino de Educação para Jovens Adultos (EJA) nas Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emef) Neuza Brizola, no Bairro Cavalhada, e Presidente João Belchior Marques Goulart, no Sarandi.

Segundo a representante da Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (Atempa), Roselena Colombo, o fechamento das EJAs nas duas escolas municipais acarretam grandes problemas sociais e culturais para as comunidades atingidas. Roselena destacou que, para estas localidades, esta modalidade de ensino é eficaz e possui maior número de inclusão de alunos. "A EJA é a peça-chave para que alunos sem oportunidades possam concluir o ensino. Para fechar uma modalidade desse tipo, deve ser garantido que naquela comunidade haja ensino regular de qualidade, o que não acontece", disse.

Conforme a representante da Smed, Simone Araujo Lovatto, a decisão de fechar as EJAs nas escolas resultou de um trabalho de pesquisa de aproximadamente dois anos. "Foram realizadas pesquisas desde 2014, onde conversamos com a direção destas escolas e avaliamos os índices de frequência dos alunos, que eram baixíssimos", relatou. Simone destacou ainda que o trabalho realizado pelos escolas municipais são de qualidade; porém, este é o fator principal para o fechamento da modalidade.

Ao ser contestada pela baixa frequência de alunos, Roselena destacou: "Lidamos com adultos que possuem outras prioridades, como o lar e o trabalho. Temos casos de alunos caminhoneiros que precisam se ausentar das aulas, mas retornam quando estão em casa. Assim acontece com donas de casa que, por motivos de doenças na família, deixam de ir nas aulas e depois voltam." Ao finalizar, relatou que não houve diálogo entre os dois principais grupos das instituições: os alunos e professores. "Os principais sujeitos sociais deste problema não foram ouvidos, que são professores e a comunidade. E posso garantir que as opiniões não batem com as da Smed."

Foto Josiele Silva/CMPA
O diretor da Atempa, Alexandre Wood, citou a importância da Educação para Jovens Adultos, em especial às mulheres. Segundo ele, o número de mulheres na exclusão escolar é grande e deve ser combatido. "Estamos próximos do dia 8 de março, uma data de luta das mulheres. Vale a reflexão que muitas mulheres negras não possuem acesso à escola e, no nosso país, os índices de analfabetismo só aumentam", relatou.

Nos encaminhamentos a vereadora Sofia Cavedon (PT) sugeriu que seja realizada a apuração de dados nos índices de escolaridades nas duas comunidades e um estudo dos índices de escolaridades das EJAs em Porto Alegre.

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