terça-feira, 29 de março de 2016

Mulheres lançam comitê e denunciam teor machista de manifestações contra Dilma

Por Débora Fogliatto/Sul21

Foto Joana Berwanger/Sul21 
Cerca de 70 mulheres de diversos movimentos, sindicatos, partidos, coletivos e profissões se organizam, a partir desta terça-feira (29) em um comitê ligado a pautas feministas em defesa da democracia e contra o golpe. O lançamento da entidade aconteceu no auditório do Sindicato dos Bancários, onde as mulheres elaboraram um manifesto, definiram que irão organizar mobilizações permanentes e devem construir uma ala feminina que irá se reunir antes e durante o ato marcado para esta quinta-feira (31), na Esquina Democrática.

A iniciativa surgiu no contexto da manifestação da Organização das Nações Unidas (ONU) em relação à violência de gênero contra a presidenta Dilma Rousseff, mas já estava sendo pensada bem antes disso, segundo explicou Maria do Carmo Bittencourt, militante da Marcha Mundial das Mulheres. Ela citou ainda o episódio acontecido com Ariane Leitão, ativista e secretária de Políticas para Mulheres durante o governo de Tarso Genro (PT), que teve atendimento médico negado a seu filho de um ano de idade. A pediatra do menino justificou que não poderia continuar com o atendimento pelo fato da mãe da criança ser petista. “Ela sofreu isso por ser uma mulher de partido, por ter opinião. Estamos todas sofrendo esse tipo de manifestações de uma forma ou de outra”, apontou Maria.

A coordenadora do Coletivo Feminino Plural, Télia Negrão, contou que a Rede Feminista de Saúde lançou uma nota destacando a importância da democracia para a saúde das mulheres e seus direitos sexuais e reprodutivos. “Não achávamos que nesse ponto da história sofreríamos uma ameaça à democracia. Nós temos que estar unidas, fortes e firmes para barrar o fascismo na política”, apontou.

Algumas das falas durante o ato destacaram o fato de os programas sociais e direitos trabalhistas estarem ameaçados com a iminência do golpe. “Temos que denunciar que o PMDB quer acabar com os programas sociais, com o Bolsa Família, com a Minha Casa, Minha Vida”, afirmou Luciane Fernandes, do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios.

O manifesto lido no ato, que condena a misoginia que Dilma vem sofrendo por ser uma mulher no posto mais alto do país politicamente, será finalizado em conjunto a partir das redes sociais até o dia 31, para quando estão marcados atos a favor da democracia em diversas cidades brasileiras. Em Porto Alegre, a manifestação acontece na Esquina Democrática a partir das 17h, mas o comitê de mulheres promete estar lá desde as 16h para unificar suas bandeiras.

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