quinta-feira, 28 de abril de 2016

Ato de 1º de maio irá defender a democracia e denunciar ataques dos golpistas aos direitos da classe trabalhadora

O ato de 1º de maio, que celebra o Dia Internacional do Trabalhador e da Trabalhadora, que será realizado neste domingo, no Parque da Redenção, junto ao Monumento ao Expedicionário, em Porto Alegre, foi divulgado em coletiva de imprensa, ocorrida no início da tarde desta quinta-feira (28), no plenarinho da Assembleia Legislativa do RS.

A atividade inicia às 10h e se estende até as 14h. Haverá pronunciamentos da Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem Medo, integradas pelas centrais sindicais, como a CUT, movimentos sociais e partidos de esquerda. Também estão previstas apresentações culturais e artísticas.

Os perigos da agenda dos golpistas

O presidente da CUT/RS, Claudir Nespolo, anunciou a presença no ato de 1º de maio do argentino Adolfo Pérez Esquivel, o vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1980. “Este será um ato que vai expressar o o momento que estamos vivendo. Se a situação já não vinha bem por conta da crise econômica, nós temos a convicção de que irá piorar muito no próximo período se o golpe for consumado, pois as medidas que Temer vem anunciando ultrapassam o ajuste fiscal e atacam direitos sociais e trabalhistas”.

Claudir ressaltou que a agenda dos golpistas inclui a pauta da Fiesp e outras federações empresariais que querem rasgar a CLT com a retirada de direitos dos trabalhadores, através da prevalência do negociado sobre o legislado, e do fim da política de valorização do salário mínimo, que garantiu aumentos reais nos governos Lula e Dilma.

Ele alertou também que os golpistas planejam fazer uma reforma da Previdência para implantar idade mínima de aposentadoria para homens e mulheres e desvincular o reajuste das aposentadorias do índice do salário mínimo, dentre outros ataques aos direitos trabalhistas.

Democracia e direitos ameaçados

O presidente da CTB/RS, Guiomar Vidor, lembrou que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) completa 73 anos em 2016 e, para ele, nunca esteve tão ameaçada. “Vemos isso através desta ruptura constitucional que os setores conservadores estão tentando fazer no Brasil, pois o que se apresenta como uma solução nada mais é do que uma ponte para o passado, com o fim dos direitos sociais conquistados pela classe trabalhadora”.

“Não viemos defender nenhum governo, nenhum partido. Com este movimento, nós estamos defendendo a democracia, temos uma posição muito crítica ao governo, mas neste momento é um absurdo que haja um retrocesso no país” afirmou Berna Menezes, representante da Intersindical e integrante do PSol e da Frente Povo Sem Medo.

A dirigente do PCdoB, Para Abigail Pereira, frisou que parcelas significativas da sociedade têm ido às ruas de forma consciente para protestar contra o golpe. “Já vínhamos neste processo de crise econômica mundial e que se agravou, aqui no Brasil, com uma crise política sem precedentes e agora entramos numa crise institucional em que se rasga a Constituição e o estado democrático de direito não vale mais nada”, afirmou.

O presidente do PT/RS, Ary Vanazzi, enfatizou que o ato de 1º de maio será também uma denúncia de um golpe e de um atentado à democracia. “Deste conluio fazem parte setores do poder judiciário e da Policia Federal e o que mais nos assusta é que, depois do dia 17 de abril, nada mais se falou sobre a Lava Jato”, disse ele, lembrando que a mobilização serve para alertar a sociedade brasileira e a classe trabalhadora dos riscos que o Brasil está correndo do ponto de vista institucional diante do golpe em curso.

Nâo aceitaremos nenhum retrocesso

Ao final, Claudir apontou para o calendário de lutas para o próximo período, cujo destaque será a realização de um dia nacional de atos, protestos, greves e paralisações em 10 de maio, antecedendo a votação da admissibilidade do impeachment e do afastamento de Dilma no Senado.

“Vamos mostrar para o capital que a classe trabalhadora não está pra brincadeira. Direitos sociais e trabalhistas são conquistas de muita luta e não aceitaremos nenhum retrocesso”, concluiu o presidente da CUT-RS.

Fonte: Portal da CUT/RS

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