sexta-feira, 1 de abril de 2016

Educação não sexista exige qualificação dos professores, dizem especialistas

Foto Marta Resing
A importância do investimento na qualificação dos professores e professoras como forma de valorizar a educação de gênero nas escolas da Capital foi um dos assunto tratados pelos debatedores, nesta sexta-feira (1º/4) pela manhã, no segundo painel do I Seminário Nacional com o tema Qual o Currículo para uma Educação não Sexista? Promovido pela Procuradoria Especial da Mulher, da Câmara Municipal de Porto Alegre, o evento foi realizado no Plenário Otávio Rocha. No encontro, presidido pela procuradora da Mulher na Casa, vereadora Sofia Cavedon (PT), as palestrantes Natália Pietra Méndez, Elizabeth Baldi e Patrícia Ferreira debateram a especialização de professores para lecionarem a educação de gênero nos educandários.

A representante do Departamento de História da UFRGS, Natália Méndez, destacou que, desde muito tempo, a escola é vista como uma instituição que estabelece e consolida distinções sociais, tornando um espaço disciplinador de sujeitos. Segundo ela, o currículo sexista acompanha o ensino educacional desde os primórdios, quando meninos e meninas estudavam em locais separados. “É difícil introduzir um novo método de ensino, uma vez que a escola teve no seu inicio essa separação de sexos”, disse.

Foto Elson Sempé Pedroso/CMPA 
Natália frisou ainda que, mesmo diante de tantas lutas pelo direito das mulheres, há pouca participação delas nos livros de História. “Existem protagonismos dentro da sociedade que não são apenas vindas do sexo masculino. Mulheres importantes que fizeram a diferença merecem este reconhecimento, e não apenas serem caracterizadas como mulheres que estavam à frente do seu tempo, tornando-as como um suplemento na História.”

Alternativas

Segundo as palestrantes, trazer as questões de gênero nos diversos assuntos abordados em aula é uma forma simples, de fácil entendimento e didática, de ensinar os alunos. “A qualificação para os professores é indispensável. As faculdades não investem neste tipo de abordagem, e por isso, muitos educadores buscam formas alternativas de aprender, para ensinar os jovens”, disse a representante do Departamento de História da UFRGS.

Foto Elson Sempé Pedroso/CMPA 
Professora da Uniafro/UFRGS, Patrícia Pereira salientou que os meios didáticos das escolas expulsa os alunos. “Quando pequena, era aquela aluna que pedia toda hora para ir ao banheiro, para tomar água, porque não conseguia me concentrar na aula. O método adotado no currículo escolar expulsa os alunos, pois não somos educados assim. Passar quatro horas sentados dentro de uma sala é cansativo para os alunos”, disse. Patrícia citou ainda a importância de professores e professoras negras lecionando nas escolas, como uma forma de barrar o preconceito e o racismo. “Precisamos de mais educadores negros nas escolas. Devemos estar ali em tempo integral, não apenas na Semana da Consciência Negra.”

Ao findar a reunião, foi aberto debate ao público que ocupou as galerias da Câmara Municipal de Porto Alegre. Dúvidas, considerações e trocas de experiências foram abordadas junto às palestrantes.

OBS: Em breve disponibilizaremos as apresentações das palestrantes.

Fonte: Portal da CMPA.

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