terça-feira, 26 de abril de 2016

Reitor da Ufrgs pede reconsideração de moção de repúdio da Câmara

Foto Marta Resing
A vereadora Sofia Cavedon, líder da Bancada do PT, acompanhou na manhã desta terça-feira (26) o reitor da Ufrgs, Carlos Alexandre Netto, e a pró-reitora de Extensão, Sandra de Deus, que foram recebidos pelo presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, Cassio Trogildo (PTB).

 Eles vieram prestar esclarecimentos sobre os motivos que levaram a Câmara a aprovar moção de repúdio ao comportamento do reitor, do vice-reitor, Rui Vicente Oppermann, e do professor Domingos Savio Dresch da Silveira, da Faculdade de Direito, "pela parcialidade no uso de suas atribuições e ofensa ao Regimento Interno da Ufrgs no trato de questões político-partidárias".

O presidente convidou todos os demais vereadores para a reunião. Netto foi o primeiro a se manifestar, afirmando que, em nenhum momento, houve ferimento ao estatuto. “O ato não era político-partidário. Foi organizado por sindicatos e movimentos sociais, e nós apenas cedemos o Salão de Atos. Eu estava no Exterior, e o vice-reitor representou a Universidade, lendo uma nota aprovada pelo Conselho Universitário, nossa instância máxima.” O reitor aproveitou para pedir a reconsideração da medida, pois “não gostaria que ficasse um antagonismo entre a Universidade e sua cidade, através da sua casa legislativa”.

Foto Marta Resing
Dos 16 vereadores presentes, representando nove bancadas, dez se manifestaram. O presidente Cassio Trogildo afirmou que não votou na sessão de aprovação da moção (foram 14 votos favoráveis e 13 contrários), pois só pode fazer isto em caso de empate, mas chegou a pedir ao proponente, vereador Valter Nagelstein (PMDB), que adiasse a votação. “Se eu votasse, seria contra. Acho que um recuo seria um gesto de grandeza”, declarou Trogildo. O vereador Airto Ferronato (PSB) pediu reconsideração da votação, o que pode resultar na suspensão do ato. A data da votação será definida pelo colégio de líderes da Câmara.

Manifestações de indignação

Na liderança da oposição, composta pelos vereadores e vereadoras da oposição (PSOL, PT e PCdoB) Sofia afirmou que todos os vereadores e vereadoras receberam manifestações de indignação quanto à moção de repúdio ao reitor, vice reitor e professor da Ufrgs, aprovada pela Câmara na semana passada, de muitos integrantes do corpo docente e discente da Universidade.

“Entendemos que cabe às instituições de ensino o cumprimento de suas funções sociais neste momento político que vive o país. Consideramos que o ambiente democrático é o melhor cenário para construir a democracia. Inúmeras Universidades no país realizaram diferentes encontros para debater a crise vivida pelo Brasil. A UFRGS seguiu o mesmo caminho ao provocar a discussão democrática, garantindo a ampla liberdade de expressão de todos os seguimentos. Causa-nos profundo espanto uma moção que busca restringir o espaço de debate nas Universidades", diz a nota de representantes da comunidade acadêmica, lida pela vereadora na tribuna.

Carta à Ufrgs de Sofia Cavedon

Foto Leonardo Contursi/CMPA 
Prezado professor, recebi sua manifestação de indignação com a moção de repudio aos professores da UFRGS, agradeço, informo que militei e votei contrariamente pela convicção de que a democracia brasileira precisa de Universidades livres, plurais, democráticas e inclusivas.

A lamentável votação na Câmara  Municipal de Porto Alegre que censurou a Universidade Federal do Rio Grande do Sul  por acolher debate de defesa da  democracia e da legalidade, é tentativa de instalar silêncio e submissão diante de quem rompe as regras democráticas e impõe suas ideias através de golpe!

Iniciativa e voto típicos de quem não suporta a democracia com seus conflitos, com sua benéfica emergência das vozes sempre caladas e marginalizadas, com sua urgência de justiça social, redistribuição de renda e igualdade.

A diferença de um voto - 14 a 13 - mostrou que o debate e a compreensão que este é um equívoco histórico que repete tempos de obscurantismo e exceção, ainda é permeável nesse parlamento que tem uma maioria conservadora, mas que foi protagonista de grandes feitos como a primeira Câmara a abolir o trabalho escravo na cidade e a restituição dos mandatos de vereadores cassados pela ditadura militar, de Glênio Peres e Marcos Klassmann em 79 quando do advento da anistia.

O sectarismo e partidarismo claro do proponente, com um pequeno grupo de apoiadores que cantavam nas galerias anunciando que derrotariam o Partido dos Trabalhadores e que consideravam as argumentações do caráter republicano e da responsabilidade de guardiã da democracia desta Câmara, como mero “mi,mi,mi”, mostraram que a moção contra a Universidade foi usada para disputa político partidária e demonstração de força dos golpistas desse país, que no voto direto e popular não conseguem eleger seu programa que é mais concentrador de privilégios e naturalizador das desigualdades.

            As bancadas que votaram unificadas contra essa censura PT, PSOL, PCdo B, PSB, Solidariedade e Rede requereram renovação de votação em função da diferença de votos, expediente previsto no regimento da Câmara, e estão trabalhando para reverter esta votação. 
  
Vereadora Sofia Cavedon, Líder da Bancada do PT