quarta-feira, 25 de maio de 2016

#OcupaEscolas - Por Sofia Cavedon*

Foto Ederson Nunes/CMPA
Artigo publicado no Jornal do Correio do Povo desta quarta-feira.

A ninguém interessa a passividade dos estudantes. A aprendizagem - comprovada cientificamente - é processo ativo, individual, de ideias, conexões, evidências novas diante da análise de fatos, informações. Apesar de ser processo de cada um e cada uma, se dá fundamentalmente na relação, no dissenso, nos conflitos, na diferença mediada pelo diálogo.

O processo de conhecer passa por se reconhecer, passa pelo caminho da reflexão do mundo, do espaço onde vive dos condicionamentos e fenômenos que incidem sobre sua forma, lugar, possibilidades de viver, porque conhecimento é provisório, é datado, contextualizado, histórico. Listas de conteúdos que não explicam realidade, repetidos para provas e cumprimentos de metas, não resultam em aprendizagem.

A ocupação das escolas é processo de aprendizagem de jovens adolescentes, homens e mulheres que, fazendo a leitura de seu contexto, assumem na sua inteireza seu próprio processo de educação.
Alguém dirá: isto é ideologização da educação! Eles estão manipulados por partidos, por professores, por sindicatos! Eu direi: eles e elas tomaram a ideia da democracia instaurada formalmente na constituição de 88, herdada da luta da geração de seus pais; tomaram a declaração da educação como direito humano também daquela Carta e decidiram construí-las no seu tempo, do seu jeito, fazendo o enfrentamento das manifestações conservadoras do século XXI!

A arbitrariedade, a tortura, o exílio, o autoritarismo que marcaram a juventude de seus pais e mães tem formas mais sutis, institucionalizadas muitas vezes, para manter a desigualdade, a discriminação, a violência na sociedade e a pobreza da educação pública.

Os estudantes e as estudantes do século XXI estão assumindo a tarefa do seu tempo. As aulas nas ocupações, com a parceria das universidades, o diálogo com professores em greve ou não, as manifestações culturais, a análise das condições da escola, o cuidado com sua preservação, a escrita de manifestos, cartazes, músicas, mostram um currículo extraordinário em curso: projetos de lei como os que querem tirar o debate político da educação ou privatizar as escolas como solução para falta de recursos, o sistema eleitoral brasileiro e a economia mundial, a violência contra a mulher, o genocídio dos jovens negros, a violência policial. São os dilemas desse tempo dando sentido ao currículo, ensejando respostas à inquietude de quem o vive!

A educação sairá maior e melhor desse processo se nossa geração - gestores e políticos, professoras e professores - souber dialogar de verdade e evoluir junto com as novas aprendizagens que ocupam as escolas!

*Vereadora e Líder da Bancada do PT